la vida no es una frutilla


quarta-feira, 15 de julho de 2009

www.meusonhoéfazertecido.com.br



Era uma festa diferente. Cabaré Valentim, se chamava. Idéia da Paulinha. Todo mundo sentado no chão, um aperto, pra ir no banheiro ia atropelando as pessoas. Começaram as performances. Teatro, clown, acrobacias e... e um casal que ia deslizando e se enroscando nuns panos coloridos que vinham pendurados do teto ao chão.Voavam. Lindo, aquilo. Foi amor à primeira vista. Se chama tecido, me disseram. E pensei que um dia eu ainda ia aprender a fazer aquilo.





Outra vez, mais de ano depois, na companhia da mesma Paulinha, sentada no gramado da Plaza Francia em Buenos Aires, observava de longe o pano rosa pendurado numa daquelas árvores antigas da Recoleta. Que buena onda, pensei. Como eu queria poder fazer isso... E decidi, tinha que tentar ao menos. Era 2008.

E era segredo. Me achava velha demais pra começar. Gorducha demais pra conseguir. Mas sonhava.

- Sabe qual é o meu sonho?
- Qual?!
- Meu sonho é fazer tecido...

Uma amostrinha:






sábado, 11 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sex and the city na vida real VIII - no msn

Daí vocês trocam telefones, a primeira vez ele te convida pra sair por mensagem, depois liga, e dois dias depois daquela janta romântica vem a inevitável mensagem: "tenés msn?"
OK, passemos à comunicação virtual, à moita (ai ui ele tá online! e agora? dou oi? espero? ah mas ele tá ausente, e se ele não responder? putz ele nunca mais apareceu online, será que me bloqueou? putz que será que ele quis dizer com isso, não entendi...). Papo de msn é desentendimento na certa. É erro de comunicação. É interpretar tudo errado. Por mais emoticons que se possa usar, o msn é o meio mais propício pra confundir bom humor com ironia, carinho com putaria, abreviação com grosseria, e estragar tudo antes que comece porque a mina se ofendeu.
Mas tu pensa que, se o cara pediu teu msn, é porque ele curte um papo virtual, certo? Ledo engano. É sempre a mulher quem mais fala no msn. Nós mulheres somos experts em fazer várias coisas ao mesmo tempo (traduzir um texto no word, pesquisar alguma coisa no google, ver um video no youtube, conferir emails E falar com o carinha E com a melhor amiga ao mesmo tempo no msn). Resultado: as respostas dele se resumem a "hehe". Às vezes ele erra a digitação e escreve heeh.

gripe porcina III - exemplos

Segue email que recebi da Esculea Freudiana deBuenos Aires, onde toda semana temos seminários teóricos, alguns com 40 participantes, outros para grupos menores, de até 10 pessoas:

A la Comunidad Psicoanalítica:

Les informamos que suspendemos temporariamente todas las actividades de la Escuela durante la próxima semana (entre el 6 y el 12 de julio del 2009).
La confusa política de las autoridades sanitarias hace que resulte muy difícil de evaluar si medidas como la que anunciamos son correctas, exageradas, tardías o incluso insuficientes.
En la suposición de que podría ser más importante de lo que se reconoce oficialmente evitar las reuniones masivas, y ante numerosas consultas y pedidos preferimos tomar esta medida preventivamente dándonos el tiempo de evaluar durante la próxima semana la continuación o levantamiento de la misma.
Oportunamente daremos a conocer la reprogramación de las actividades afectadas.

Cordialmente,

Comisión Directiva
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...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Gripe- II

A propósito..
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quando é que a Gripe Porcina virou Gripe A,
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e a Gripe A virou Influenza?
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(de certo ninguém respeitava o leitão)
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terça-feira, 30 de junho de 2009

Gripe Porcina ou Viúva Suína (a viuva perdeu o acento também?)


Hablemos de la Gripe A.
Muito antes de o Lula desencorajar os brasileiros a viajarem para os vizinhos Argetina e Chile, e de São Gabriel virar foco dA Gripe, aqui na Argentina já era paranóia nacional, só que o bode, ou porco expiatório era o México. Porque sempre tem que ter algum lugar onde as coisas estão piores do que em casa, certo? Sempre há algum outro governo que manejou mal as coisas e por isso hoje nós padecemos. Enfim, aqui houve uma explosão inicial de paranóia, com mortes, confusão no aeroporto, máscaras esgotadas - tiveram que estabelecer que os hospitais tinham prioridade na compra das mesmas -, empresas suspendendo o trabalho por causa de um funcionário gripado, essas coisas que começam a acontecer no Brasil agora. Um taxista me mostrou que tem um spray desinfetante que passa no carro depois que sai cada passageiro, e que usa alcool gel nas mãos cada vez que mexe em dinheiro. Eu to evitando andar de bus mas quando ando abro a janelinha e ainda fico com a cara dentro do lenço ou manta (não tenho máscara), respirando o minimo possível. E tento não tocar em nada e se toco não me toco, e haja alcool gel, um tubinho por semana. Se a gripe fosse felina, aí sim estávamos fodidos: aqui na capital Portenha há gatos em todos os hospitais. Eles costumam circular apenas pelos pátios dos hospitais gerais, mas no Ameghino (onde eu trabalho), que é um centro de Saúde Mental, eles são os donos do campinho, das cadeiras, dos embaixo-das-mesas, das janelas. Bueno, seguindo: então vieram as eleições aqui na Argentina, e as notícias sobre a Gripe deram lugar aos debates políticos e pesquisas eleitorais, e a ninguém convinha esse negócio de impedir aglomerações de gente, e a alguns especialmente não convinha declarar estado de emergência e calamidade antes das eleições, saca? Eis que a apuração dos votos termina, e imediatamente após, várias localidades argentinas entram em estado de emergência sanitária, as escolas fechando uma ou duas semanas antes das férias, as faculdades de Medicina e Odonto fechando, e eu queria ir ao teatro ver meus vários amigos que se apresentam em espetáculos diferentes, mas teatros e cinemas são lugares fechados com aglomeração de gente, ou seja, a serem evitados. Eu não tenho medo de morrer de gripe suína, pelo que entendi ela só mata pessoas que já tenham alguma doença prévia, é uma gripe mais fraca que as outras, só que com um poder de propagação muito rápida. E o perigo maior é ela se misturar com um virus forte e aí sim, virar calamidade mundial. Parece que aqui já há casos de Gripe Suína Mutante. E tem um canal de TV, o CronicaTV, que é tipo "Aqui & Agora" (lembram do Gil Gomes?) que mantém um contador do número de mortes pela gripe porcina no canto da tela. Só nesta tarde já passou de 38 para 40. O que me preocupa são os Mutantes. Mas sigo vivendo, me cuidando como mandam as mães - abrigando-me bem, alimentando-me bem, dormindo bem quando possível -, mas sem paranóia, senão não vivo. Alcool gel na bolsa e vambora!
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PS: to por fora da Reforma. A viuva perdeu o marido e o acento, o da paranoia também caiu (o acento, nao o marido), e a emergencia? Correções nos comments, please.

sábado, 27 de junho de 2009

Cantadas portenhas IV



"Por favor va por la sombra señorita, bajo el sol los bombones se derriten"

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Ele - ...(incompreensível) caramelo de menta
Ela - Cómo?
Ele - No, tenés que preguntarme por qué!
Ela - Pero no entendí lo que dijiste.
Ele - Hagamos otra vez. Al final preguntame "por qué". ...(incomprensível) caramelo de menta.
Ela - Por qué?
Ele - Caramelo por la dulzura, menta por la fuerza.

...(de certo achou a mina malhada)

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domingo, 21 de junho de 2009

sábado, 20 de junho de 2009

Sex and the city na vida real -VIII

"Encontrei Jesus"

O que passa na cabeça de uma mãe quando nomeia o filho de Jesus? Jesus não é o filho de qualquer um, é o filho do Póóói. Mesmo a Igreja Universal prega, na televisão daqui, que "Ushted tiene que parar de sufrer, ushted tiene que encontrar Jesús". E não é que uma amiga minha encontrou Jesus? Esteve na presença íntima do filho do Póói. Acordou com Jesus a seu lado. E mais tarde, seu celular anunciou: 1 nova mensagem. De: Jesus. Que mensagem Ele terá enviado? Jesus lhe deseja um bom dia, e lhe fará um chamado esta noite. Amém.

Histórias de viagens - I

Uma das melhoers estórias de viagem que já escutei é a da Cris no aeroporto da Indonésia. Depois de 1 ano morando na Australia, onde de tanto se mudar chegou a ter uma casa-van, a Cris ia se mudar pro Hawaii. Mas, antes de deixar o hemisfério oriental, vai de mala e cuia fazer turismo na Indonésia. Mala e cuia, neste caso, significa muitas malas grandes. Tipo, duas pra despachar, mais um mochilão nas costas e umas bolsas ou sacolas de mão. E antes de ir embora da Indonésia, tem que se despedir dos amigos que sabe-se lá quando reencontrará, mas o amigo confunde 13h com 3pm e minha amiga já se atrasa um pouquinho pro aeroporto. Chegando lá, mais demora no check-in para pagar o excesso de bagagem, não que tivesse fila, mas a atendente estava muito ocupada papeando no telefone. Eis que anunciam a última chamada, já perguntando pela Mrs. Schwarz Cristina. Não deu tempo de despachar as malas, e a Cris sai correndo com toda a sua bagagem pelo aeroporto. Vocês sabem que o povo na Indonésia já é engraçado, falando inglês com seu béri gud accent ficam melhores ainda. E a Cris correndo pela área de embarque, e os funcionários do aeroporto dando aquele apoio, alguns chegando a dar uma corridinha junto: "go, Cristina!" "you can do it" "run, run, Cristina!"

sexta-feira, 19 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

bah a noite tava triboa

Eu preciso encontrar
Um lugar legal pra mim
Dançar e me escabelar
Tem que ter um som legal
Tem que ter gente legal
E ter cerveja barata
,
Um lugar onde as pessoas
Sejam mesmo afudê
Um lugar onde as pessoas
Sejam loucas e super chapadas
Um lugar do caralho
.
Passar um único fim de semana na minha cidade, aquela experiência do estranho familiar. Ser estrangeira no próprio lar. No meio de toda a programação burocrática e familiar, os almoços e os encontros, uma crise de rinite somada a um resfriado (a pessoa-ranho), mas o corpo há de aguentar - e curtir! - uma noite forte. Sábado tem Pulp no Ocidente. Se dopa de remédio e vai. Direto pra chapelaria, a pista nova ainda nem abriu, a galera bebendo em volta. Visualizo um trapézio pendurado ali em frente ao globinho, um número pra distrair o povo enquanto a festa não lota. Jura que não vai beber, mas quando vê já foi, automático, alguém largou um copo cheio na minha mão. Não resistiu à ceva, não resistiu às músicas - o corpo dançou a noite inteira. Cenário Ocidente: aquele monte de amigos. Todas aquelas caras conhecidas. Muitos abraços. Impossível não comparar com o público de Buenos Aires: aqui mulher demais e homens não tão lindos, mas esse clima daqui... ah, esse clima! Enfrenta a multidão e vai pra pista de cima. Madonna, Vogue. Busca a Lica. Dançam todas as gurias enlouquecidas. Um pouco de música eletrônica não convencional. Água para hidratar. O corpo se entregando. Volta pra pista de baixo, menos gente já a esta hora. Eis que comparece à festa um ilustre convidado: Frank Sinatra. Ele procura seu olhar, é a hora perfeita pra chegar nela. Alicinha e eu num outro olhar, desnecessário pronunciar que 'bah, isso é muito bailinho!'. Dançamos alheias a tudo ao nosso redor, transportadas para outro lugar, aquela festa apaixonante no Rio. Me arrepiei. Imaginei una rutina de trape com trilha sonora by Mr. Sinatra, um belo objetivo. Terminada a música, estou nostálgica confessando pra Lica que a saudade apertou aqui, ó. Mas a festa não acabou, e depois do Frank tocou Júpiter Maçã, Um Lugar do Caralho, e nada mais porto-alegrense do que 'um lugar onde as pessoas sejam muito afudê', e naquele momento um lugar do caralho pra mim era em Porto Alegre, e era aquele 'o lugar e o alguém que tornarão-me mais feliz'. A nostalgia deu lugar a uma explosão de alegria por estar aqui e agora, apesar dos ranhos. Tinha até esquecido deles. Lá pelas 5h o corpo pedia socorro, pedia repouso. Mas aí só mais uma espiadinha na pista de cima e aquela música impossível de ficar parada. Aí só mais uma saidera. Aí as gurias insistindo só mais essa, e outras três. Amo!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

sex and the city

Eu assisto sex and the city.
E dou risada.
E grito.
E choro. Sério!
Eu e todas vocês aí também, que eu sei.
É meu Sagrado daqui.
Segundas, das 22h às 23h.
Qualquer coincidência é mera semelhança.
Será?
foi com o brilho da vontade
um resto de saudade
um tropeção bem naquele giro
o desejo desvelado

foi com o gelo do medo
a pimenta do pecado
fazia um frio desgraçado
foi em plena aurora

foi.
olhou para os dois lados
excesso de possibilidades
uma última espiada atrás
viu retratos de sombras deixadas
descobriu à frente
uma obesa ansiedade

vai.



_

sexta-feira, 5 de junho de 2009

cabelo

EU
TAMBÉM
TENHO
BAD HAIR DAYS
!

primer post en castellano. una declaración. un homenage.



un abrazo triple



maru (volante) y juli (base) - acrobatas en pedo



Quize dedicarles un post a esas dos porteñas que hacen parte de tantos momentos felices de los que vivo acá. Estas dos chicas que podrian haber sido simplemente "colegas de gimnasio", o mejor de "circo", pero ahora son mucho más que eso. En realidad ya ni somos colegas, ellas se fueron cirquear y circular en otro lado, maru se fue al trapecio de vuelo, y sin embargo seguimos juntas!

Julieta debe haber sido mi amiga en otra vida, porque tuvimos la sensación al primer encuentro de un déjà-vu, yo pensé "esta chica se parece con alguien que no me acuerdo quien es pero que me cae muy bien", y no era nadie... sino ella misma. Qué lindo, no?

En la clase de trapecio estaba esta chica, "la colo" o "maru". Me llevó mucho tiempo para saber que Maru era apodo para María. María Rosa, miren Uds. que nombres de viejas tienen mis amigas jaja. Yo también tengo nombre "de vieja", pero yo soy viejita ya... verdad, juli? Bueno, yo decía que estaba la colorada esa, que hacía cosas re lindas y re dificiles en el trape, pero como estaba en el grupo más avanzado no es que estábamos siempre juntas. Pero había algo en su estilo con que yo me identificaba... yo sentía que me llevaría muy bien con ella. Nos acercamos más cuando hicimos acro de piso juntas, y más aún cuándo chupamos juntas, jaja.
Y así fue... la primera fiesta en el Multiespacio, ellas dos en pedo haciendo acros en el vestiario femenino. Alguna noche en algun bar en Palermo. alguna noche en Belgrano. En almagro. Una cena o una merienda en casa. Caipirinhas en lo de Juli. una noche muy energética de la cual Maru no se perdona por no haber participado, aunque no pueda admitir los celos. muchos planes de ir al campo o a Tigre, que nunca se concretan. Más caipirinhas... como el finde pasado, cuándo sacamos esas fotos. Juli aprendió a hacerlas, las caipirinhas, pero hasta acertar el punto - la proporción justa de lima, azúcar, vodka y hielo -, tuvo que hacer mucho control de calidad, hasta que la encontré tirada en mi cama, posición de la cual no salió que a las 11h del día siguiente. Maru nunca habló tanto y sin parar, tampoco la habpis visto reírse tanto como ese día. Juli y yo hasta logramos sacarle el abrazo triple!
"Antes que Maria se vaya..." tenemos que hacer muchas cosas antes que yo me vaya. Pero hay planes para después también. Chicas, las espero en Brasil el verano próximo para irmos a la playaaaaaaaaaa!
Las quiero mucho!
=]









domingo, 31 de maio de 2009

ondas no celular

tava mexendo no celular essas dias, e encontrei anotados os seguintes versos, que não sei se escutei/li em algum lugar ou se inventei:

"
leve vem a onda leve
que se estende
a adormecer
.
breve vem a onda
breve
que nos ensina a esquecer
.
(tampouco sei por que os anotei)

mais tarde - marcelo camelo

"
pode ser até do corpo se entregar mais tarde
parece simples mas a gente às vezes é
e o amor é lindo deixo tudo que quiser eu não me queixo em ser
acho normal ver a vida feito faz o mar num grão de areia
é de se entregar a sorte e todo mundo vai saber em ver
que o vai e vem pode ser eterno
pra ver quem manda acho que não vai dar tô cansado demais
vou ver a vida a pé
acho normal tá no mundo feito faz o mar num grão de areia
"
E se eu quiser tomar café da manhã às 11h, e depois às 15h de novo?
E se eu quiser dormir das 17h às 19h, e às 3h também?
E se eu quiser ver televisão sem ver programa nenhum?
E se eu quiser limpar a geladeira à meia-noite?
E tomar um vinho na taça de cristal, e cerveja no copo de boteco?
E se eu quiser tomar aquela sopa agora, e depois também?
E se eu não fizer nada disso, porque esqueci o que é mesmo que vim fazer aqui?
E se eu quiser ler de noite, e dormir de manhã, e almoçar de tarde, e sair de noite, e voltar tarde?
E se eu quiser lavar roupa às 2h, e pendurar a roupa no varal às 11h?
E se eu quiser ir ao supermercado domingo, comprar pão novo na padaria e passar o resto do dia em casa?
E se eu quiser deixar pra depois?
E se eu quiser deixar pra um pouquinho depois de depois?
E eu posso te ligar agora?
E posso mentir que não estou?
E se eu quiser ficar... só mais um pouquinho?
E se eu quiser ficar só... mais um pouquinho?
E se eu quiser... ficar só mais... um pouquinho?
E se eu...?
E se...?
E?
E daí?
!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sex and the city na vida real VII - o telefone toca depois de um tempão

Alô

...

Sim, sou eu

...

Como?

...

Ah, você? ...como você me descobriu aqui?

...

Ah.

...

Pois é, tô por aí ainda.

...

É, eu sei, eu tinha dito que ia embora, mas voltei.

...

Pois é, muito bom.

...

Amanhã? Não, amanhã eu não posso.

...

No fim de semana também não, vou viajar.

...

Não, semana que vem nenhum dia.

...

Te evitando? Não, imagina!

...

É, foi legal sim.

...

É, era bom...

...

Apaixonou?

...

Hm.

...

Ai, olha só, sinceramente, pois é, agora que você apaixonou, eu não quero mais. Desculpa, eu também queria querer, mas sabe como é, perdeu a graça, tô afim de alguém que não se apaixonou ainda e...

...

Não, não tô com ninguém.

...

Ah, sim, eu tô afim de outra pessoa agora.

...

Desculpa, eu sempre acho que a sinceridade é a melhor saída mas.

...

Então tá, a gente se vê por aí.

...

Tá, beijo.

...

Tchau.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

El invierno

Os primeiros sinais da chegada do inverno são as vitrines - enlouquecedoras - com suas botas, casacos, capas, saias, mantas, echarpes. As cores do inverno, embora sempre guardem alguma sobriedade, não são menos encantadoras do que as de verão.


A primeira coisa que as mulheres tiram do armário quando começa a esfriar são as botas. Como mulher gosta de andar de bota de cano alto! Botas de salto, botas que fazem aquele toctoc cada vez que ela pisa. Botas por cima da calça, é a moda de agora, mas para mim nada supera a bota com saia. Aliás, de saias mi Buenos Aires querida sempre entendeu, mas maldita a moda das leggings com camisão. Por outro lado, bendita a moda das camisas xadrez. Elas estão por tudo, desde o verão, para minha alegria e desespero do meu bolso.


Mas a moda do inverno não é só para as mulheres... também os cachorros aparecem com suas roupinhas de lã e suas capas de chuva pelas ruas.

Em geral, o frio daqui é ensolarado ou nublado. Os dias de sol não poupam a cara de um vento gelado e úmido, que dá dor de cabeça, e é por isso que outro sinal da chegada do inverno são os gorros. Um dos acessórios que mais comprei e mais me impulsionam aqui são "las gorras", boinas, bonés, chapéus... todos lindos e divertidos.
No bairro, o melhor sinal de inverno é o cheirinho de lenha... As lareiras das casas vizinhas com seu foguinho, que delícia! E nós aqui, com a lareira do Rei Arthur bombando no apê da dona Lila.






segunda-feira, 25 de maio de 2009

O bebê mais lindo do mundo


Roubei. Sou tia, ora bolas. e madrinha. tenho todo o direito. tá aqui ele, pé sujo de areia no rio de janeiro. FOFOOOOOOOO

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Os 84 músculos que desenham tuas costas. As 5 tatuagens emolduradas pelo teu corpo. 46 músculos só no abdomen. 1 umbigo estrategicamente localizado logo acima do. O elástico Calvin Klein que teu jeans caído supostamente queria esconder. 5 dedos em cada mão e as tuas 2 mãos na minha cintura. 30min de massagem. 8kg cada um de teus braços dormindo de conchinha. 1/2kg de erva-mate por semana. 6 gotas daquele perfume cítrico ou. Teu corpo transpirando. 21ºC a temperatura ideal. 395 músicas no teu ipod. Os 84 músculos das tuas costas. 22 em cada ombro. 2 bocas, 1 beijo. 4 pernas enroscadas. 2l de água por dia. 20min água quente no chuveiro. Apenas 6h de sono. Os 46 músculos que guardam teu abdomen. Aquele músculo involuntário que pulsa. 130 batimentos por minuto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

TIGRE - uma lenda que já era

Elas chegaram a Buenos Aires em pleno inverno. Instalaram-se em certas instituições psi, uma a uma, e logo mudaram-se de mala e cuia para Palermo Soho. Estudavam ali, trabalharam ali, fizeram suas festas e suas compras ali. Receberam amigos e parentes brasileiros ali, mostrando-lhes as maravilhas do seu bairro cool, com suas feiras de diseño, suas cervejas levemente frias servidas em jarra, suas pizzas grandes e empanadas. Começaram a conviver com porteños, e a horrorizá-los com sua alienação palermitana. Não que elas não tivessem recorrido outros bairros, a Recoleta, La Boca, San Telmo, alguma aventura no Once a visitar algum prédio da UBA. Todos insistiam que elas tinham que ir a Tigre. Elas tinham que sair daquele circuito Alto Palermo-Bosques-Villa Freud e ir conhecer a grande Buenos Aires, as cidadezinhas afastadas. Alguém falou em La Plata, uns poucos disseram Mar del Plata, mas todos as mandaram conhecer o Tigre. Vieram os primeiros dias de calor primaveril e elas se programaram para ir a Tigre no domingo. Encontrariam outras amigas na estação de trem Retiro e dali tomariam o trem a Tigre.


Tigre é uma cidadezinha ao norte de Buenos Aires onde alguns rios se encontram num delta, e as pessoas passeiam de barco por entre as ilhas, nas quais há paraderos, clubes, restaurantes, pousadas. Na própria cidade, há um museu de belas artes que um dia foi hotel - um destino comum para lua-de-mel -, um antigo puerto de frutos que hoje é mercado de móveis de madeira e taquara, e muitas lojas de móveis por todos os lados. Tem também o parque de la costa, que consiste em um imenso parque de diversões para crianças e adultos.


Naquele domingo, apesar do sol ter brilhado sábado, o dia amanheceu cinza e chuvoso. Mixou o passeio delas. Combinaram para o domingo seguinte, mas choveu a semana inteira. Frustradas, deixaram de programar tal visita ao Tigre por algumas semanas, até que o calor foi se firmando, com a aproximação do verão. No próximo domingo vamos a Tigre! Informaram-se, procuraram fotos na internet, descobriram tudo o que se podia fazer em Tigre. Mas no sábado resolveram ir a uma festa e o domingo foi de ressaca. Não teve despertador que as tirasse da cama antes do meio dia, e aí já ficava tarde. Novembro e dezembro foram meses de muito trabalho e muitas visitas, ficou difícil organizar o passeio, mas chegaram a programar um domingo no Tigre, só que choveu. De novo.


Voltaram ao seu país para as festas de Natal e Ano Novo, mudaram de endereço provisoriamente em Buenos Aires durante as férias de verão, algumas conheceram a Patagonia, outra viajou a Mar del Plata num feriadão, mas nada de Tigre. Fizeram mais amigos, pelo menos dois que as convidaram a passear de lancha no Tigre qualquer hora dessas, e a proposta foi ficando tentadora. Os amigos demoraram a concretizar o convite, elas se programaram para ir lá sem eles, mas de novo acordaram de ressaca às 12h de domingo e o céu estava cinza. O Tigre virava lenda, elas já temiam que o simples pronunciar essa palavra já significasse chuva no domingo.

Até que, finalmente, elas foram. O amigo que tinha a lancha convidou, confirmou, telefonou no domingo de manhã apesar de algum friozinho (o outono não foi generoso com a temperatura) e de alguma nuvem, e as buscaram de carro, poupando o tempo do (des)encontro na estação de trem. Conheceram o puerto de frutos, comeram uma picada de frios e pan de campo, tomaram mate à beira de um canal, e foram buscar a lancha num canal mais afastado do centro. Chegando lá, contentes com o sol que vencia as nuvens, uma surpresa: a água do canal estava tão baixa, mas tão baixa, que não dava para botar a lancha na água. Não deu para passear pelo delta. O amigo anfitrião ficou frustradíssimo, que nunca tinha acontecido isso com ele, mas elas só acharam a coisa mais normal do mundo: Che, já chegamos até aqui finalmente, e sem chuva, alguma coisa tinha que dar errado! No final do dia, depois de duas térmicas de mate e um sorvete caseiro, apressaram a volta abaixo de chuva e engarrafamento. Como não podia deixar de ser.


O saldo do passeio foi positivo, foi divertidíssimo, e ainda ficou com gostinho de quero-mais.

Seguem fotossssss:






os amigos


o canal


a seca



canal principal



elas, nos jardins do museu












terça-feira, 12 de maio de 2009

Nombres populares en Argentina y sus traducciones. Les agregué historias posibles

Dolores.
Sua mãe sentiu muita dor no parto, então batizou a filha de Dores.
-
Milagros.
Os pais já tinham desistido de tentar ter filhos, quando por milagre a mãe engravidou. A gestação e o parto foram complicados, e à bebê sobrevivente deram o nome de Milagres.
-
Soledad.
Destinada a ser filha única, de pais que tampouco tinham irmãos, Solidão veio ao mundo para ser só. Analisou-se e teve uma vida alegre, fez muitos amigos que a apelidaram de Sol, e mudou seu destino tão só por uma vida iluminada cheia de alegrias.
-

Cantadas porteñas III

1.
O cara passa por trás da cadeira dela no bar e fala no ouvido dela, mas de forma que toda mesa escuta:

- Bravo!

2.
Propostas de casamento pela janela do carro.

.
.
.
enquanto isso, do alto de alguma obra no rio de janeiro, alguém grita pra moça bonita de mini-saia que passou rebolando:

- você não usa calcinha, usa porta-jóia!

;

quinta-feira, 30 de abril de 2009




o ferro




o rádio da cozinha


salão carandiru I - quarto do líder

vista de frente (para Gascón)



salão carandiru II ou "sector fumadores"
(conecta cozinha e sala)

vista do salão carandiru II - Cabrera
vizinhos chics





"

a gente cresce, estuda, sofre, passa no vestibular, ama, briga, desbriga, pra acabar nisso: peña-chamamé x pacha-reggaton.

"

terça-feira, 28 de abril de 2009

Continuarás buscando en mis ojos
el resplandecer de verte
Pero encontrarás quizá
el reflejo de tu propria mirada

quinta-feira, 23 de abril de 2009

a propósito

.
.
por que o orkut não sabe contar?
.
.

Sex and the city na vida real VI - comunicação virtual

oi


entrei no teu orkut e escrevi um monte de coisas num depoimento, comentando teu blog, te contando da minha vida, divagando sobre a improbabilidade de a gente se ver, e digo só ver mesmo, estar frente a frente ao vivo. daí terminei de escrever e já não tinha sentido nenhum, então apaguei tudo e deixei assim. daí resolvi escrever e te contar. e é óbvio q vou apagar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cantadas Porteñas - II

Antes de acrescentar uma nova cantada a esta série, acho importante esclarecer que do "imagina quando madura" é padrão para mulheres de verde.

1. Mas então hj de manhã estava eu indo trabalhar, aquele friozinho de inverno com solzinho gostoso na cara, e o velhinho - cabelo brancos, bigodinho branco, menor que eu - pára, me olha, e em camera lenta levanta o dedão pra mim. Foi muuito engraçado! Estilo comercial de Havaianas.

2. Na noite, um cara já nos convidou para uma das festas que ele costuma dar no seu veleiro, em que as pessoas tiram a roupa. Apresentou-se como um dj tão famoso que fora obrigado a cortar os cabelos para poder sair na noite sem ser assediado.

3. Numa milonga gay, o cara chega pra mina e pergunta "tu é a amiga hetero né?", e assim os dois únicos heteros da noite bailam tango, trocam telefones e... o resto da história vai pra série "sexo en la ciudad" (tradução de Sex and the City feita pela tv a cabo daqui)

..

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eh! Santino!

Comer bem - no sentido da qualidade e da satisfação da fome e da gula -, em ótima
companhia, num
ambiente agradável, ser tribem atendida, tomar um vinho muito bom, e pagar um valor justo, diria até barato, faz o meu dia. Vou dormir feliz. E "com o satisfeito cheio".



............Pra quem aprecia uma lua cheia nascendo laranja e gigantesca no horizonte...........
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Lo de Lila

Nosso apartamento este ano é de dois quartos.
o quartinho das virgem, como se dizia antigamente, com duas camas de solteiro, e

O quarto do líder.
O quarto do líder consiste no quarto que tem uma cama de casal e uma sacada-carandiru exclusiva. É onde a doña Lila fez seus três filhos, depois criou o bordel. A decoração do bordel (ou quarto do líder) consiste num leque pendurado na parede acima da cabeceira da cama, irremovível, e em caixas de veludo vermelhas onde guardavam-se lingeries como se jóias fossem (e não são?). Para dormir no quarto do líder, não é preciso passar por nenhuma prova, apenas respeitar o calendário. São 50 dias e 50 noites para cada Sherazade. Cada noite no quarto do líder deve render uma história. Com tantos privilégios e aparente privacidade (o quarto do líder possui roupeiro próprio, mas não é uma suíte), porém, o quarto do líder haveria de ter algum defeito, obviamente: a porta não fecha, só encosta. Porque aqui não é a casa da mãe Joana, muito menos o bordel da doña Lila.
Nesta semana, me mudo para o quarto do líder. Sentirei falta da companhia da Cris e da bagunçada prateleira dos sapatos. Mas não terei problema nenhum em ficar acordada até tarde, porque não acordarei ninguém se precisar acender a luz às 3h da manhã.
A propósito, fiéis leitores, me cobrem fotos dos salões Carandiru I e II, do ferro de passar roupas, do rádio da cozinha e da nossa super-lareira.

Nintendo

Eu não entendo esse teu medo de ser feliz.
Não entendo essa tua fobia.
Não entendo esse monte de defesas.
Não entendo pra quê se proteger tanto.
Não entendo de quê te proteges.
Eu não entendo essa tua impossibilidade.
Não entendo essa tua fraqueza.
Não entendo onde foi parar tua força?
Não entendo cadê a tua coragem?
Eu não entendo essas tuas olheiras.
Não entendo teus olhos tão grandes e tão cegos.
Não entendo tuas lágrimas tardias.
Não entendo essa tua culpa.
Não entendo essa tua vergonha.
Não entendo tua insegurança.
Eu não entendo.

.

Mas de que serviria entender?

domingo, 5 de abril de 2009

look at us!


Na mesma foto: meu afilhado recém batizado, e o corte de cabelo porteño da dinda.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A insustentável leveza do ser II

a espera pesa
o peso desespera
alta pressão atmosférica
dias de calor pré-chuva

a leveza chega
sorriso alegre
boba ignorância
a leveza ignora
a leveza é agora
carpe diem
leve e pobre

o valor do peso
18 quilates
pendurados no pescoço
ou roubados do bolso
seja ganho ou perda
vale ouro
ou choro

dias de sol no outono
a leveza do vento
o calorzinho do sol
que não queima
uma chama acesa
brasa
um abraço
aconchego

o peso das palavras medidas
letras de chumbo
medo das conseqüências
insegurança
desconfiança
desesperança
ou pior
expectativa*

comida leve
alface e broto
dieta da sopa
blusas curtas
sem barriga
e fome
leve não come
de tão leve, some

*no wordreference: " 'expectativa' también aparece en estas entradas:
Português:
expectar - moita"




Kundera. Quem dera.

A insustentável leveza do ser

Me leve, tão leve
que nem se percebe
E vai de leve
que a vida é breve

Te arrasto, teus rastros
Tão raros tão rasos
Que pesam - pesa
A vida dura

Me deixe, leve
que eu nem perceba
Se vem, se vai
Se vou, se fico

Te puxo, arranho
Arranco algum querer
e algum sofrer...
Permanência

Me esqueça, ou recorde
mas que seja indolor
Sem compromisso, leve
Me preserve, reserve

Te peço, e confesso
não esqueço, teço
cada sentença
precisa, calculada

Me escreve, e segue
descida - vento na cara
Não deve, não teme
é livre, é neve - derrete!

Te aqueço, sufoco
suor, calor e tira a roupa
Estremeço, revoada
É sempre recomeço

.

domingo, 22 de março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sex and the city na vida real V - as mentiras que elas pedem (inspirada em relatos masculinos)

I.
- Que lindo teu apê! Estilo clean...
- Obrigado. Me mudei faz pouco.
- Ah, é?! Que legal! Então a gente... tu vai estrear comigo?
- Não, já estreei faz tempo, ih! muito antes de ficar pronto.
- ah. - caradecu.

Silêncio.

- Mas desde que me mudei tu é a primeira!
- Valeu. - caradecu.


II.
3h da manhã. Cama desarrumada, aquele momento pós-sexo do terceiro encontro. Aquele momento terceiro encontro. Na cama dele.

- Com quantas tu já transou?
- Oi?
- Com quantas tu já transou?
- Tu quer mesmo saber isso?
- Sim.
- Ãhn.. vinte e sete. Contigo, vinte e oito.

Silêncio. Caradecu.

- Pô, desculpa, mas tu que perguntou.

Caradecu.
Levanta e começa a se vestir.
Ele nunca vai entender. Talvez ela tenha achado muito. Talvez ela tenha achado simplesmente ridículo ele ter o número na ponta da língua. Talvez ela não tenha dado bola pra isso, mas tenha esperado um complemento do tipo "mas tu é a mais especial", ou "a melhor". Ele pensa que o problema tá no número, maldito 28.
He'll never know. Talvez jogue no bicho.



Por que que mulher tem mania de fazer esse tipo de pergunta?



quarta-feira, 18 de março de 2009

A vida é a arte do (re)encontro,
embora haja tanto desencontro
pela vida...
ou
Tu te tornas
(eternamente? ou infinito enquanto dure...?)
responsável por aquilo (ou aquele, ou aquela)
que cativas.
(sempre achei meio imperativa demais essa do Pequeno Príncipe... mas é isso mesmo, cativar é deixar marcas... o resto cabe aos encontros-reencontros-desencontros)

domingo, 15 de março de 2009

Pingos de Patagonia III






O acampamento de las Torres fica no parque Torres del Paine mas numa parte que é propriedade privada, e onde tem um spa, um hotel, um hostel e sei lá mais o que. É o acampamento mais campero de todos. O único onde é permitido fazer fogo, am alguns cantos. É cheio de cavalo e de vaca circulando. Delícia acordar de manhã com aquele barulho de pocotó pocotó passando na estradinha de chão próximo à barraca. (No último dia resisti e fiz uma cavalgada, com direito a galopar em carrera no final... tava com uma saudade!)

;

A gente conheceu a Lavi no banheiro do hostel de El Chaltén, numa correria, e depois nos reencontramos e ficamos amigas dela e o Dado, seu esposo, em Torres del Paine, quando eles cozinhavam uma lentilha no quincho. (El quincho mereceria um post...)

;



Enfim, os últimos dias de Chile foram na companhia deles, nossas fogueiras e fogos (tragos, vinhos e risadas para espantar o frio), os mates, refeições de tudo-o-que-sobrou. São gaúchos, mas moram em Copa. Mais um motivo pra eu voltar ao Rio...



SEMPRE parceiros pra uma ceva! DOS MEU!

!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sex and the city na vida real IV - Age of Aquarious

Depois da experiência frustrante com seu personal trainer - Paulão, o flanelinha -, ela investe no professor de yoga, que tem um corpão também mas faz o estilo sensível hippie natureza paz e amor essas coisas. Vem cá ver as estrelas, lua nova, diz ele, dá para observar melhor as constelações. Ela não entende porra nenhuma de constelação, mas acha o máximo que ele sempre saiba quando é lua nova ou lua cheia. Começam a fazer amor ali mesmo, à luz das estrelas, no colchonete que ele trouxe da índia. De repente, bem no meio do durante - que, tântrico, duravaduravaduravadurava e não terminava nunca -, ela avista uma barata quase subindo no colchonete, quase na altura do seu rosto.
I) ELA: dá um grito de susto, sem querer empurra ele pra fora do colchão, quebra todo o clima e ELE: Calma docinho é só uma baratinha, aqui em casa tem várias, elas não mordem, é da natureza... (no fundo puto da cara porque perdeu toda a concentração e brochou)
II) ELA: dá um grito, mas não se move, e ELE: pensa que ela gritou de prazer, etra na onda dela, grita também, esforça-se para demonstrar o máximo de prazer mas ELA: continua gritando, agora mais forte, porque a barata já encostou as anteninhas em sua pele, e ELE: isso, gata, como tu grita gostoso, que sexo selvagem, uaua, e ELA: finalmente diz A barata! e só então ELE: vê a barata, dá-lhe um peteleco pra longe, e os dois caem na gargalhada
III) ELA: não quer parecer fresca, afinal ele com sua cultura hindu não deve ter pânico de barata, pelo contrário, já deve ter comido baratinhas fritas na Tailandia, então ela fica quieta torcendo pra barata não vir, e disposta a dar um peteleco nela caso se aproxime muito ELE: cultura hindu que nada, barata é o bicho mais nojento do mundo, esquece o sexo tântrico e pára tudo pra sair correndo atrás da maldita, chinelo na mão. ELA: só pensa Desgraçado
IV) ELA: dá uma olhada de canto de olho e continua se concentrando no corpo do mestre de yoga, aquela escultura pesando sobre o corpo dela... ELE: como se nada estivesse acontecendo e sem interromper sua atividade tântrica, alcança o chinelo para matar a barata, e sorri para a moça com ar de satisfação, problema resolvido, não para, não desconcentra ELA: no depois, rindo, comenta sobre o episódio da barata. ELE: confessa que tinha visto a barata muito antes, quando ainda estava no muro, e ficou torcendo pra que ela não visse. ELA: com nojo de calçar o chinelo. ELE: cofessa que não conseguiu matar a barata...
...`o´...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pingos de Patagonia II

Nosso primeiro trekking de verdade, primeira experiência de acampamento na Patagônia, foi em El Chaltén. A caminho do fabuloso Fitz Roy, onde uma amiga minha jura ter visto um duende, lá fomos nós - a Cris, a barraca, nossas mochilas e nossos cajados - em direção ao "Campamento D'Agostini", em Cerro Torre, dormir a primeira noite. Levamos 5h para fazer a trilha de 3,5h.






Descobrimos, em algumas curvas, o poder do vento patagônico. É assim: tu levanta a perna pra pisar, e em vez de o teu pé cair na tua frente, cai pro lado e tu te desiquilibra, afinal, tem uma mochila gorda pesando no mínimo 12kg pendurada nas tuas costas. Também nessa trilha, vimos uma lebre correndo saltitante, e nos emocionamos com nossa proximidade da natureza, objetivo principal da viagem.




Na metade da trilha, começou a chover. E em menos de 1h caminhando dentro das nossas capas de chuva de dé real, descobrimos que elas custaram tão barato porque são descartáveis. Mais adiante, dedicaríamos a elas um clássico samba:


"...com você eu vivo a sofrer

mas sem você

vou sofrer muto mais..."


Finalmente chegamos ao camping. Abaixo de chuva. Começava a escurecer. A Cris desabafa aos berros:


"EU ODEIO CHUVAAAA!! ODEIO ACAMPAR COM CHUVA!!!"


Descobrimos que na nossa barraca entrava água. E fazia frio.




O que nos salvou foi que, entre as pouquíssimas barracas que estavam armadas ali, havia uma de onde vinha uma música, uns acordes de violão, e decidimos ficar por perto. Pois o dono de la guitarra sensibilizou-se com o desabafo da Cris, nos ofereceu ajuda, foi o primeiro entre tantos a rir do tamanho da nossa barraca enorme, mas também o primeiro a aproveitar-se disso, e foi assim que conhecemos Matias e Lucas, irmãos, portenhos, buena onda, que nos ensinaram que não necessariamente a barraca pega fogo se acender o fagareiro dentro dela, o que mudou a nossa vida, e nesse dia cozinhamos dentro da barraca, conversamos e cantamos até tarde, até que foi cada um pra sua barraca dormir e eu e a Cris descobrimos que já não entrava mais água na nossa carpa, mesmo com muita chuva, e que nossos sacos de dormir deveriam ser mais quentes, e que um vinhozinho faz muita falta hora dessas.




Matias

Lucas


O dia seguinte amanheceu chovendo. Eu tinha a nítida sensação de que aquela massa nebulosa estava presa naquele vale e que nunca mais iria parar. Nos levantamos tarde, não que estivesse gostoooso dentro do saco de dormir, mas faltava coragem para sair. Lá pelas 14h, decidimos voltar pro pueblito de El Chaltén e dormir no quentinho do hostel, e azar o do Fitz Roy porque com esse clima não ia dar pra enxergar pico nenhum mesmo. Por sorte a chuva deu uma trégua bem na hora em que desarmamos a barraca, e foi assim que aproveitamos cada cantinho do pueblito, sua cervejaria artesanal, sua padaria e confeitaria, seu super hostel Rancho Grande e a multidão de europeus, australianos e argentinos que o habitavam temporariamente.




LADE - Líneas Aereas Del Estado

A maneira mais barata de voar pela Argentina é... de LADE. Pelo menos para estrangeiros, porque as Aerolineas Argentinas cobram o dobro do preço para estrangeiros. Então eu e a Cris compramos nossas passagens: Buenos Aires-Ushuaia-El Calafate. Ushuaia só pra conexão, não tínhamos tempo para conhecer a cidade. E o preço era o mesmo até aí ou seguindo até Calafate. Todo muy lindo, descubrimos que tinha uma escala em Puerto Madryn, tiramos muitas fotos aéreas, nos servirama até champanhe no avião.





Chegando ao aeroporto de Ushuaia, que é uma gracinha, morremos de frio só de dar aquela caminhadinha do avião até a sala de embarque/desembarque (ninguém achou que a LADE teria finger, né? E todo mundo sabe que finger é aquele tunel que liga o avião ao aeroporto, né?). Já nesse aeroporto uma confusão, um comissário nos mandou subir uma escada que tinha um sinal de proibido, e entramos na sala de trânsito pela contramão. Ficamos superatentas, nosso vôo atrasou um pouquinho, mas em seguida tudo se resolveu e lá fomos nós, caminhar até a aeronave que nos levaria a El Calafate. Quando a Cris avista o aviãozinho de élice, PAVOR. O equipamento que um dia serviu às Forças Aéreas Argentinas devia ter uns 70 anos de idade, bem como seu comissário de bordo. Por sorte, não vimos a cara do piloto.


Entrando no aviãozinho, que já tinha seus 32 lugares quase lotados, tive que ficar nos primeiros bancos, ou seja, de frente pra todo mundo. Viaje de ré. E sem mesinha. Antes de decolar, nada de instruções de segurança: nossa aeronave não dispunha de máscaras de oxigêncio nem colete salva-vidas. Serviram alfajor e café, e as pessoas à minha frente sensibilizaram-se, deixa que eu seguro teu café enquanto tu abre o alfajor, por favor segura meu alfajor enquanto eu adoço o meu café. Thank you (só tem gringo indo pra Patagônia).




A viagem foi aparentemente longa e barulhenta. Não obstante, consegui dormir um pouquinho. A Cris se hipnotizou com um livro para não pensar no que seria aquela tremedeira toda. O melhor momento foi a preparação para o pouso, quando o comissário de bordo vai conferir pela janelinha se as rodas do avião (que no caso do nosso Fokker ficava sob as asas) obedeceram ao comando do piloto.


Finalmente, chegamos a El Calafate! Sãs e salvas. Nesse aeroporto pequenino ao lado desse lago verde-azulado lindo na fotinho acima. E eu só contaria pra minha mãe sobre esse aviãozinho no final da viagem, quando se Deus quisesse chegasse viva a Buenos Aires. Bueno, acá estoy. E recomendo a LADE. Lá na Patagonia, me disseram até que os aviõezinhos de élice são mais seguros do que os outros. Se bem que na volta... Ah, a volta é outra história.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Diego. Maradona.

Não tem como um brasileiro entender a relação que os argentinos têm com o Maradona. Não tem nada a ver com a nossa relação com o Pelé ou o Ronaldo gordo. Em tese, metade dos argentinos AMA o Maradona, e a outra metade o ODEIA. Lá na Patagônia, eu e a Cris conhecemos um desses argentinos apaixonados pela figura (sim, o Maradona é uma figura, uma personagem, muito além de jogador de futebol, dependente químico ou treinador da seleção). Nosso amigo Andres parece ser uma pessoa razoável, um argentino de classe média, curso superior completo, beirando os 40 anos de idade, é parte dos 80% dos patagãos que trabalham com turismo. Os outros 20, produzem ovelhas para servir o famoso cordeiro patagónico que é delicioso e macio e com pouca gordura mas muito sabor. Então, o andres nos dizia, muito seriamente, sem nenhum tom de ironia ou humor, que o Diego é uma dessas pessoas que nascem tocadas por Deus. Literalmente, por la mano de Dios. Ele é uma pessoa especial espiritualmente, ele nasceu abençoado! Se se meteu nas drogas, foi para integrar um meio onde isso era necessário, ele fez o que qualquer pobre como ele teria feito no lugar dele. O que faz de Maradona um ser tão especial e vencedor não é treino ou técnica no futebol, nem carisma, mas simplesmente o fato de que ele é uma figura divina, nasceu tocado por Deus, um Escolhido. Então tá. Não deu nem pra fazer piada, eu e a Cris rindo por dentro, mas seguimos escutando com a de seriedade. Eu é que não ia contestar tamanho fanatismo.

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