la vida no es una frutilla


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

da solidão de escrever




enquanto penso que escrevo sobre um tema qualquer
escapa-me meu eu por entre as linhas
nas entrelinhas o indizível se inscreve
litoral

na solidão do texto provoca-me a surpresa do entre
solitária tarefa de imprimir letras e descobrir-se
na vertigem entre o literal e o implícito
véu

maldita angústia que me prende
quem dera prender os dedos sedentos pelo teclado
conter o choro que se escapa
real

mas eis que no meu verso
me convoca o silencio de mim mesma
e me acompanha nesta escrita:
eu

~~~



terça-feira, 30 de outubro de 2012

monotemática



era um castelo sem jardins
uma torre sem janela
era panela vazia de fome
iogurte azedo esquecido
horizonte borrado de nuvens
chuvarada na beira da praia
era seca na lavoura
ratoeira na despensa
tinha cobra no porão
faltava lenha pro fogão
a paisagem mais sem graça
o tempo que não passa
um vazio de inspiração
foram-se as ideias
ficou ela na intenção



__

terça-feira, 16 de outubro de 2012

uh-oh!

Nos dias de rebeldia, desisto de arrumar o cabelo e saio com ele do jeito que tá. E, estranhamente, recebo elogios. Não sei se por misericórdia ou se porque é a rebeldia capilar justamente o que se espera da moça de cabelo curto. 
Tô vivendo um momento de muita autoexigência, autocobrança, me sentindo pressionada por mim mesma. Tracei objetivos ousados para quem tem tão pouco tempo para se dedicar, e ainda dá tanta importância à vida social e ao entretenimento.
Me olhei no espelho agora e vi os cabelos arrepiados, a pele sem maquiagem, a expressão de pavor no couro cabeludo, nos olhos, na pele toda. Não estou conseguindo seguir os passos determinados para o objetivo traçado conforme o planejamento. Tenho um deadline e muitas deadhours de culpa por não estar fazendo aquilo que eu acho que deveria estar fazendo... 
O que tem uma coisa a ver com a outra? 




Os cabelos, eles refletem como me sinto. 


_\|/_

domingo, 23 de setembro de 2012

Ainda somos os mesmos e vivemos...



Eu não sei explicar o que é que me emociona tanto nesta canção. Não sei por quê chorei tanto ao escutá-la na voz de Maria Rita esta noite no auditório Araujo Vianna. Pelo menos eu não era a única louca chorando, a própria Maria Rita teve que parar um tempinho até parar de chorar para poder continuar o show após os aplausos emocionados do público. Viva o rímel à prova d'água! Mas para emocionar mesmo, melhor a intensidade que só Elis, porque Elis, porque em  seu tempo, porque guerreira, porque louca, jovem e equilibrista... 



<3

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

quem dança seus males espanta

Eu sei que as pessoas me consideram extrovertida, sem vergonha e motoramente coordenada. Mas a verdade é que sempre tive vergonha de não saber dançar. E quem disse que dançar é algo que se sabe?, alguem diria, dançar se dança! Mas eu me importo. Acho que é preciso saber dançar, é preciso ter ritmo, então fico tão preocupada em sentir a música que esqueço de ouvi-la. Sempre fico tão tensa por não saber dançar, que não consigo dançar. E se alguém me disser Relaxa, sente a música!, fico tão preocupada em relaxar que só fico mais tensa. Quando criança, certa vez fui com minha prima - hoje bailarina - à aula de ballet. Aqueles 60 minutos de "pliê-sotê" foram a coisa mais chata que já fiz na minha infancia, passei a aula inteira sonhando com saltos mortais e paradas de mão no solo da Sogipa. Ah, como eu amava ginástica olímpica! A partir dos vinte e poucos anos de idade, tentei algumas vezes aprender danças de salão. Destas, o tango sempre foi minha preferida, e por isso lhe dediquei mais tempo, mas não o suficiente para conseguir parar de pensar em parar de se preocupar em fazer certo. E o pior é que eu adoro dançar! Foi então que descobri a dança contemporanea. Aquelas aulas malucas que depois de um longo aquecimento despertando muita consciencia corporal, apagam-se as luzes e a música, e ficamos nós, corpos dançantes, sentindo a chuva entrar por todos os sentidos e movimentando-se de acordo com as memórias do corpo. Dançar sem dois pra lá, dois pra cá. dançar com a alma. conectando-se sim com o espaço e os outros corpos que o ocupam, mas sem necessariamente um conduzir o outro. Sempre saio da aula de dança muito leve, muito feliz, e com tesão. Hoje saí caminhando na chuva depois dessa aula, com um sorriso inexplicável no rosto. E quando a chuva apertou e todo mundo se amontou debaixo de uma marquise, parei por um segundo.. e decidi não esperar a intensidade da chuva diminuir, e simplesmente me fui, caminhado no mesmo ritmo de antes, o sorriso virando risada, sei lá porque. 

E junto com a dança descobri um cantinho do bairro que já é meu. :)


qualquer dia desses.

todos os dias, L. sai de casa em seu carro pelo qual ainda está pagando sem saber se poderá voltar para casa de carro. L. estaciona o carro pelas ruas onde não há parquímetro, não há garagens, quando muito algum flanelinha que quase nunca está porque gasta qualquer trocado em crack. todos os dias, L. tem medo de não encontrar o carro onde o deixou, ou de ser vítima de um assalto.

J. vendeu o carro para adotar um novo estilo de vida. J. anda de bicicleta, a pé ou transporte público. todos os dias, J. sai de casa em sua bici sem saber se voltará para casa sem ferimentos. é perigoso andar de bicicleta nesta cidade sem ciclovias, onde os motoristas não respeitam os ciclistas, que por sua vez não respeitam os pedestres, que por sua vez não respeitam as regras do transito e estranhamente, quando estão dirigindo, não respeitam os pedestres.

C. não tem medo de nada ao sair de casa, porque não tem uma casa. todos os dias, C. preocupa-se em saber se vai chover ou fazer muito frio, porque não é qualquer marquise que segura a chuva nem qualquer beco que protege do frio. talvez C. não sinta o medo porque antes de o medo chegar C. se droga. e muitas vezes C. chegou a roubar para conseguir pagar pela droga. ou por um quartinho de hotel/motel onde dormir.    recentemente, amigos da rua convidaram C. para roubar um carro.

é comum pessoas absolutamente normais e tranquilas descarregarem todo seu estresse no volante. H. é uma dessas pessoas. H. dirige agressivamente, proferindo xingamentos, buzinas e gestos obscenos para motoristas, passageiros, pedestres e ciclistas. H. não acredita que um dia poderá causar um acidente, muito menos ser vítima de um. H. não tem medo do transito.

um dia L. distraiu-se no transito e quase atropelou J., que caiu com a bicicleta por cima de C., que ficou com ferimentos graves nas pernas e no rosto. a bicicleta também sofreu danos graves. Ao desviar, L. bateu o carro e teve despesas altíssimas. a raiva estimulou C. a aceitar o convite dos amigos e assaltar. roubaram o carro de H.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

vinteepoucos



quando a gente tem vinte e poucos anos tudo parece mais simples. não tem mais aquela ansiedade e aquela complicação da adolescencia. tudo é mais simples. aos vinte e poucos a gente tem o mundo ao alcance. de fato, todos nós fizemos aquela viagem aos vinte e poucos. sinto saudades de não ter medo. depois de um tempo algumas coisas vão deixando de ser tão simples, o comprometimento e a responsabilidade aumentam. ter vinte e poucos é estar apaixonado. é quando não se tem vergonha, não se está nem aí. sinto saudades de desconhecer o perigo, de simplesmente acreditar. é a idade da leveza, a idade de apostar e seguir.  aos trinta e poucos a gente tem muito mais ao alcance, mas muito a perder. as consequencias são mais graves. e a gente quer consequencias graves! aos trinta, como é bom ter com o que se preocupar! é a insustentável leveza do ser.  saudades de não ter cabelo branco, de não precisar se maquiar diariamente, de emagrecer muitos quilos em poucos dias, engordar muitos dias em poucos quilos, correr quilometros em poucos minutos, contar os minutos por calorias.  
sinto falta. 
mas, pela pequena amostra de vida balzaquiana que tive até aqui, já tenho tranquilidade em dizer... que se aos vinte e poucos a gente acha tá vivendo o melhor da vida, aos trinta a gente sabe.
e até essa saudade da década que passou é boa.



;)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Miopia



Chove aquela garoa fria Soprada por um vento forte que encanou na esquina de meus pensamentos. As nuvens se decidem entre o inverno que se despede e a primavera que ja floresceu. A lenha finalmente voltou a incendiar minha telinha preferida, chamas dançantes hipnotizam meu olhar. Só assim descansam os olhos de te buscar na multidão. Difícil encontrar uma voz e um perfume de formas difusas e contornos esquecidos com minha visão míope do mundo. Miopia é melancolia no quotiadiano.




terça-feira, 14 de agosto de 2012

Tempo lógico

Eu fui apaixonada por ele. E ele foi apaixonado por mim.

Mas não ao mesmo tempo.

terça-feira, 24 de julho de 2012

coração de papel reciclável

Queria que você lesse meu blog, disse ele, e depois me diga o que achou daquelas minhas palavras torcidas. Torcidas, tortas, trocadas, as palavras são cores de uma infinita aquarela, cada um as mistura como quer. Não sei exatamente o que é "escrever bem", mas sei que um autor surpreende quanto mais autêntica for sua escrita e quanto mais curiosa seja sua maneira de ver o mundo.
Será que foi ele que escreveu?, ela perguntou. E então respondi, Não sei se é de autoria dele, mas se não for, ainda assim ele sabe escolher muito bem as palavras dos outros. Palavras retorcidas, emprestadas, palavras roubadas, recortadas, rejuntadas. Recortes.
Ele faz origami com as palavras.

...hasta que aflojé, me ilusioné, me enamoré. Y él se fué.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

26.

dar a cada emoção uma personalidade,
a cada estado da alma uma alma.

...



...

terça-feira, 3 de julho de 2012

dor.

Eu quis descrever a minha dor, mas doía tanto que era indescritível.Doía de um jeito tão real que só no corpo para sabê-la. Eu quis mostrar a minha dor, mas ela era invisível. Doía tão grande que transbordava os contornos do corpo. Eu quis gritar a minha dor, mas ela era indizível. Doía tanto que me calava. Eu quis te culpar pela minha dor, mas ela era inalienável. Doía tanto que não importava mais sua origem. Eu quis entender a minha dor, mas ela não era interpretável. Doía tanto que só no ato. Eu quis guardar a minha dor, mas ela era inapreensível. Doía tanto que se ia... Eu quis doer a minha doer, mas ela não era mais minha. Doía tanto que eu a perdi.



terça-feira, 26 de junho de 2012

Eu, dona de casa VII - fuego

En mi nuevo hogar tengo un hogar...
(em meu novo lar tenho uma lareira)


























O fogo que hipnotiza
que aquece a casa e acalenta o coração
O crepitar da lenha incendiando
que acaricia o corpo
Madeira que vira brasa, brasa que vira cinza, 
ditando um tempo da Natureza
O tempo do fogo se faz o meu tempo, substituindo as aborrecidas 60 voltas que se repetem dando horas aos minutos no reológio do tempo cronológico
A nova regra da casa agora é
Terminou o fogo, é hora de ir pra cama.
O fogo dita meu sono.
Quando as chamas se derretem em brasas é que desacelerei
Como se a fumaça levasse chaminé afora todas as preocupações do meu dia
É só quando a ultima brasa se apaga em cinzas na lareira que anoitece no meu lar

Boa noite.

X


segunda-feira, 18 de junho de 2012

inverno...


Me encanta! Tanta sensibilidade e delicadeza - sim, delicadeza! Lambari genio.



Pra lembrar de ti
Basta a solidão chegar de manso
Nesse rancho onde os mates são de magoa e dor
Eu carrego essa dor porque é só minha
E te entrego toda luz do meu amor
Pra lembrar de ti Ainda guardo o teu cheiro na memória Da nossa historia que aos poucos foi e se perdeu Te espero um rancho com floreira na janela E um beijo terno que guardei pros lábios teus
Pra voltar pra ti Faço teu jogo, aposto tudo seja o que for Ó minha flor, O teu silencio diz bem mais que mil palavras E dos meus olhos chove a dor do meu amor
Pra lembrar de ti É ver o sol nascer por trás dessas coxilhas E as maçanilhas que rebrotam entre os mal me quer Eu te desejo feito lua e madrugada Ó minha amada serei teu se tu quiser
Pra lembrar de ti Cevo outro mate de silencio e solidão Para um coração que já faz tempo que anda vazio Refaço os planos pro inverno que se achega Não quero ver o meu amor morrer de frio
(JaIro Lambari Fernandes - Pra lembrar de ti)

sábado, 16 de junho de 2012

insustentável leveza..

136.

 O peso de sentir! O peso de ter que sentir!

(Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)


terça-feira, 12 de junho de 2012

domingo, 10 de junho de 2012

SaudadeS

Extraño a tus mates early in the morning los sabados y domingos cuando me despertaba sola en la cama...extraño tus largas horas lejos de mi, mientras me buscaba el sentido de estar alli. Extraño a tus comidas, las cosas que preparabas mientras yo te miraba cocinar..y no me dejabas ayudar en nada, a no ser servirte el vino. Extraño a matear con vos en el jardin y a tomar sol mientras cuidabas de las plantas. Extraño  tu honestidad. Gracias por tu honestidad. Extraño nuestra simplicidad. Gracias por la simplicidad.
Extraño nuestros largos viajes en auto por la provincia, extrano a mi campo y a los locales donde me llevabas. Extraño el sabor de tus besos, el amargo de tu mate y a las frutas siempre fescas en tu heladera. Extraño tus intentos frustrados de dejar de fumar. Extraño a las notas de tu guitarra, a las canciones de tu radio y tus llamados de nochecita. Extraño amanecer a tu lado, extrano a acostarme en tu cama, a banarme en tu bano y a andar sin ropa por la casa. Extraño las noches de luna llena cuando ibamos a la terraza, tu me mirabas por largos ratos bajo la luz de la luna..como aquella noche cuando nos conocimos, noche de largas miradas y sorprendentes besos! Extraño a tus mensajes en mi ceular, extano los poetas que creiamos ser. Extraño sentir tu corazon accelerado junto a mi cuerpo, escuchar tu voz al telefono, leer a tus palabras. Extraño a cuando llegabas a mi casa con una botella de vino en la mano y una sonrisa en la cara, extrano a tu sonrisa! Extraño.te.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Trotando no redondel...

Uma das coisas mais impressionantes e emocionantes que já vivenciei foi assistir a uma demonstração de Monty Roberts com um cavalo traumatizado. Foi em Brasilia, em 2010, graças à pilha da Marina, uma das pessoas com quem aprendi e compartilhei a experiência de ajudar cavalos a ajudarem pessoas na recuperação de sua saúde física e mental (Equoterapia).
O primeiro cavalo cuja confiança Monty Roberts conquistou no redondel era um potro chucro, e foi em pouco mais de 20minutos (vinte minutos!) que o ajudante do Mr. Roberts o encilhou e montou com facilidade. Mas o mais impressionante foi um enorme Cavalo Brasileiro de Hipismo, de pelagem preta, adulto, forte, bem criado na cocheira, bem domado e bom competidor, porém traumatizado. Esse cavalo não podia escutar qualquer barulhinho de plástico que perdia a doma. A hipótese de Monty é a associação do barulho do plástico ao barulho de choques, mas não importa, fato é que por alguma razão este cavalo sentia muito medo, e isso impedia de desfrutar da sua maior habilidade - o salto - e colocava em risco seu maior companheiro - o ginete. Era marcante a expressão aterrorizada no olhar daquele enorme animal ao entrar no redondel, e especialmente após o primeiro contato com uma sacolinha de supermercado enrolada na ponta de uma vara que Monty Roberts aproximou de seu lombo. Durante os vinte minutos em que fez o cavalo galopar para um lado e outro no redondel, Monty narrou alguns fatos traumáticos e difíceis de sua própria vida, os quais o ajudaram a se aproximar dos cavalos e compreendê-los. Ao cabo de uns 45 minutos, o cavalo seguia Monty Roberts por sobre uma enorme lona de plástico, com ou sem sacolinhas de supermercado por perto, guiado apenas pela relação de confiança que ali se estabelecera. Confiança mútua, cabe dizer. Porque acredito que um dos segredos do trabalho de doma racional é o domador confiar em seu trabalho, confiar que o cavalo compreenderá sua mensagem e não o colocará em risco. 
O cavalo é um animal sensível e semelhante aos humanos em muitos aspectos. Não à toa tornam-se mais do que amigos leais, por toda uma vida. Quando uma pessoa traumatizada não encontra um Monty Roberts - ou algo que substitua seu método - que a faça recobrar a confiança (em si e nos outros),  deixa de aprimorar suas habilidades e de aprender coisas novas. Coloca a si e aos seus companheiros (mesmo os mais leais) em risco. Deixa de desfrutar da vida, perde a espontaneidade. Perde-se. A exemplo de Monty Roberts, que encontrou em seus traumas a força motriz para desenvolver o seu método, hoje reconhecido mundialmente e transmitido não apenas como uma técnica de doma, mas como filosofia de vida, todos devemos deixar nossos traumas no redondel... e retornar à vida entregando-nos a toda a sua intensidade!








o

quarta-feira, 23 de maio de 2012

às vezes me sinto bem assim..(deixo que falem por mim)






Ronda
de Paulo Vanzolini
por João Gilberto


De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar
No meio de olhares espio em todos os bares
Você não está
Volto pra casa abatida
Desencantada da vida
O sonho alegria me dá
Nele você está
Ah, se eu tivesse quem bem me quisesse
Esse alguém me diria
Desiste, esta busca é inútil
Eu não desistia
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres
Rolando um dadinho
Jogando bilhar
E neste dia então
Vai dar na primeira edição
Cena de sangue num bar
Da avenida são joão




http://youtu.be/zipByVXtvaU



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