la vida no es una frutilla


quarta-feira, 27 de maio de 2009

El invierno

Os primeiros sinais da chegada do inverno são as vitrines - enlouquecedoras - com suas botas, casacos, capas, saias, mantas, echarpes. As cores do inverno, embora sempre guardem alguma sobriedade, não são menos encantadoras do que as de verão.


A primeira coisa que as mulheres tiram do armário quando começa a esfriar são as botas. Como mulher gosta de andar de bota de cano alto! Botas de salto, botas que fazem aquele toctoc cada vez que ela pisa. Botas por cima da calça, é a moda de agora, mas para mim nada supera a bota com saia. Aliás, de saias mi Buenos Aires querida sempre entendeu, mas maldita a moda das leggings com camisão. Por outro lado, bendita a moda das camisas xadrez. Elas estão por tudo, desde o verão, para minha alegria e desespero do meu bolso.


Mas a moda do inverno não é só para as mulheres... também os cachorros aparecem com suas roupinhas de lã e suas capas de chuva pelas ruas.

Em geral, o frio daqui é ensolarado ou nublado. Os dias de sol não poupam a cara de um vento gelado e úmido, que dá dor de cabeça, e é por isso que outro sinal da chegada do inverno são os gorros. Um dos acessórios que mais comprei e mais me impulsionam aqui são "las gorras", boinas, bonés, chapéus... todos lindos e divertidos.
No bairro, o melhor sinal de inverno é o cheirinho de lenha... As lareiras das casas vizinhas com seu foguinho, que delícia! E nós aqui, com a lareira do Rei Arthur bombando no apê da dona Lila.






segunda-feira, 25 de maio de 2009

O bebê mais lindo do mundo


Roubei. Sou tia, ora bolas. e madrinha. tenho todo o direito. tá aqui ele, pé sujo de areia no rio de janeiro. FOFOOOOOOOO

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Os 84 músculos que desenham tuas costas. As 5 tatuagens emolduradas pelo teu corpo. 46 músculos só no abdomen. 1 umbigo estrategicamente localizado logo acima do. O elástico Calvin Klein que teu jeans caído supostamente queria esconder. 5 dedos em cada mão e as tuas 2 mãos na minha cintura. 30min de massagem. 8kg cada um de teus braços dormindo de conchinha. 1/2kg de erva-mate por semana. 6 gotas daquele perfume cítrico ou. Teu corpo transpirando. 21ºC a temperatura ideal. 395 músicas no teu ipod. Os 84 músculos das tuas costas. 22 em cada ombro. 2 bocas, 1 beijo. 4 pernas enroscadas. 2l de água por dia. 20min água quente no chuveiro. Apenas 6h de sono. Os 46 músculos que guardam teu abdomen. Aquele músculo involuntário que pulsa. 130 batimentos por minuto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

TIGRE - uma lenda que já era

Elas chegaram a Buenos Aires em pleno inverno. Instalaram-se em certas instituições psi, uma a uma, e logo mudaram-se de mala e cuia para Palermo Soho. Estudavam ali, trabalharam ali, fizeram suas festas e suas compras ali. Receberam amigos e parentes brasileiros ali, mostrando-lhes as maravilhas do seu bairro cool, com suas feiras de diseño, suas cervejas levemente frias servidas em jarra, suas pizzas grandes e empanadas. Começaram a conviver com porteños, e a horrorizá-los com sua alienação palermitana. Não que elas não tivessem recorrido outros bairros, a Recoleta, La Boca, San Telmo, alguma aventura no Once a visitar algum prédio da UBA. Todos insistiam que elas tinham que ir a Tigre. Elas tinham que sair daquele circuito Alto Palermo-Bosques-Villa Freud e ir conhecer a grande Buenos Aires, as cidadezinhas afastadas. Alguém falou em La Plata, uns poucos disseram Mar del Plata, mas todos as mandaram conhecer o Tigre. Vieram os primeiros dias de calor primaveril e elas se programaram para ir a Tigre no domingo. Encontrariam outras amigas na estação de trem Retiro e dali tomariam o trem a Tigre.


Tigre é uma cidadezinha ao norte de Buenos Aires onde alguns rios se encontram num delta, e as pessoas passeiam de barco por entre as ilhas, nas quais há paraderos, clubes, restaurantes, pousadas. Na própria cidade, há um museu de belas artes que um dia foi hotel - um destino comum para lua-de-mel -, um antigo puerto de frutos que hoje é mercado de móveis de madeira e taquara, e muitas lojas de móveis por todos os lados. Tem também o parque de la costa, que consiste em um imenso parque de diversões para crianças e adultos.


Naquele domingo, apesar do sol ter brilhado sábado, o dia amanheceu cinza e chuvoso. Mixou o passeio delas. Combinaram para o domingo seguinte, mas choveu a semana inteira. Frustradas, deixaram de programar tal visita ao Tigre por algumas semanas, até que o calor foi se firmando, com a aproximação do verão. No próximo domingo vamos a Tigre! Informaram-se, procuraram fotos na internet, descobriram tudo o que se podia fazer em Tigre. Mas no sábado resolveram ir a uma festa e o domingo foi de ressaca. Não teve despertador que as tirasse da cama antes do meio dia, e aí já ficava tarde. Novembro e dezembro foram meses de muito trabalho e muitas visitas, ficou difícil organizar o passeio, mas chegaram a programar um domingo no Tigre, só que choveu. De novo.


Voltaram ao seu país para as festas de Natal e Ano Novo, mudaram de endereço provisoriamente em Buenos Aires durante as férias de verão, algumas conheceram a Patagonia, outra viajou a Mar del Plata num feriadão, mas nada de Tigre. Fizeram mais amigos, pelo menos dois que as convidaram a passear de lancha no Tigre qualquer hora dessas, e a proposta foi ficando tentadora. Os amigos demoraram a concretizar o convite, elas se programaram para ir lá sem eles, mas de novo acordaram de ressaca às 12h de domingo e o céu estava cinza. O Tigre virava lenda, elas já temiam que o simples pronunciar essa palavra já significasse chuva no domingo.

Até que, finalmente, elas foram. O amigo que tinha a lancha convidou, confirmou, telefonou no domingo de manhã apesar de algum friozinho (o outono não foi generoso com a temperatura) e de alguma nuvem, e as buscaram de carro, poupando o tempo do (des)encontro na estação de trem. Conheceram o puerto de frutos, comeram uma picada de frios e pan de campo, tomaram mate à beira de um canal, e foram buscar a lancha num canal mais afastado do centro. Chegando lá, contentes com o sol que vencia as nuvens, uma surpresa: a água do canal estava tão baixa, mas tão baixa, que não dava para botar a lancha na água. Não deu para passear pelo delta. O amigo anfitrião ficou frustradíssimo, que nunca tinha acontecido isso com ele, mas elas só acharam a coisa mais normal do mundo: Che, já chegamos até aqui finalmente, e sem chuva, alguma coisa tinha que dar errado! No final do dia, depois de duas térmicas de mate e um sorvete caseiro, apressaram a volta abaixo de chuva e engarrafamento. Como não podia deixar de ser.


O saldo do passeio foi positivo, foi divertidíssimo, e ainda ficou com gostinho de quero-mais.

Seguem fotossssss:






os amigos


o canal


a seca



canal principal



elas, nos jardins do museu












terça-feira, 12 de maio de 2009

Nombres populares en Argentina y sus traducciones. Les agregué historias posibles

Dolores.
Sua mãe sentiu muita dor no parto, então batizou a filha de Dores.
-
Milagros.
Os pais já tinham desistido de tentar ter filhos, quando por milagre a mãe engravidou. A gestação e o parto foram complicados, e à bebê sobrevivente deram o nome de Milagres.
-
Soledad.
Destinada a ser filha única, de pais que tampouco tinham irmãos, Solidão veio ao mundo para ser só. Analisou-se e teve uma vida alegre, fez muitos amigos que a apelidaram de Sol, e mudou seu destino tão só por uma vida iluminada cheia de alegrias.
-

Cantadas porteñas III

1.
O cara passa por trás da cadeira dela no bar e fala no ouvido dela, mas de forma que toda mesa escuta:

- Bravo!

2.
Propostas de casamento pela janela do carro.

.
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.
enquanto isso, do alto de alguma obra no rio de janeiro, alguém grita pra moça bonita de mini-saia que passou rebolando:

- você não usa calcinha, usa porta-jóia!

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quinta-feira, 30 de abril de 2009




o ferro




o rádio da cozinha


salão carandiru I - quarto do líder

vista de frente (para Gascón)



salão carandiru II ou "sector fumadores"
(conecta cozinha e sala)

vista do salão carandiru II - Cabrera
vizinhos chics





"

a gente cresce, estuda, sofre, passa no vestibular, ama, briga, desbriga, pra acabar nisso: peña-chamamé x pacha-reggaton.

"

terça-feira, 28 de abril de 2009

Continuarás buscando en mis ojos
el resplandecer de verte
Pero encontrarás quizá
el reflejo de tu propria mirada

quinta-feira, 23 de abril de 2009

a propósito

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por que o orkut não sabe contar?
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Sex and the city na vida real VI - comunicação virtual

oi


entrei no teu orkut e escrevi um monte de coisas num depoimento, comentando teu blog, te contando da minha vida, divagando sobre a improbabilidade de a gente se ver, e digo só ver mesmo, estar frente a frente ao vivo. daí terminei de escrever e já não tinha sentido nenhum, então apaguei tudo e deixei assim. daí resolvi escrever e te contar. e é óbvio q vou apagar.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cantadas Porteñas - II

Antes de acrescentar uma nova cantada a esta série, acho importante esclarecer que do "imagina quando madura" é padrão para mulheres de verde.

1. Mas então hj de manhã estava eu indo trabalhar, aquele friozinho de inverno com solzinho gostoso na cara, e o velhinho - cabelo brancos, bigodinho branco, menor que eu - pára, me olha, e em camera lenta levanta o dedão pra mim. Foi muuito engraçado! Estilo comercial de Havaianas.

2. Na noite, um cara já nos convidou para uma das festas que ele costuma dar no seu veleiro, em que as pessoas tiram a roupa. Apresentou-se como um dj tão famoso que fora obrigado a cortar os cabelos para poder sair na noite sem ser assediado.

3. Numa milonga gay, o cara chega pra mina e pergunta "tu é a amiga hetero né?", e assim os dois únicos heteros da noite bailam tango, trocam telefones e... o resto da história vai pra série "sexo en la ciudad" (tradução de Sex and the City feita pela tv a cabo daqui)

..

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eh! Santino!

Comer bem - no sentido da qualidade e da satisfação da fome e da gula -, em ótima
companhia, num
ambiente agradável, ser tribem atendida, tomar um vinho muito bom, e pagar um valor justo, diria até barato, faz o meu dia. Vou dormir feliz. E "com o satisfeito cheio".



............Pra quem aprecia uma lua cheia nascendo laranja e gigantesca no horizonte...........
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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Lo de Lila

Nosso apartamento este ano é de dois quartos.
o quartinho das virgem, como se dizia antigamente, com duas camas de solteiro, e

O quarto do líder.
O quarto do líder consiste no quarto que tem uma cama de casal e uma sacada-carandiru exclusiva. É onde a doña Lila fez seus três filhos, depois criou o bordel. A decoração do bordel (ou quarto do líder) consiste num leque pendurado na parede acima da cabeceira da cama, irremovível, e em caixas de veludo vermelhas onde guardavam-se lingeries como se jóias fossem (e não são?). Para dormir no quarto do líder, não é preciso passar por nenhuma prova, apenas respeitar o calendário. São 50 dias e 50 noites para cada Sherazade. Cada noite no quarto do líder deve render uma história. Com tantos privilégios e aparente privacidade (o quarto do líder possui roupeiro próprio, mas não é uma suíte), porém, o quarto do líder haveria de ter algum defeito, obviamente: a porta não fecha, só encosta. Porque aqui não é a casa da mãe Joana, muito menos o bordel da doña Lila.
Nesta semana, me mudo para o quarto do líder. Sentirei falta da companhia da Cris e da bagunçada prateleira dos sapatos. Mas não terei problema nenhum em ficar acordada até tarde, porque não acordarei ninguém se precisar acender a luz às 3h da manhã.
A propósito, fiéis leitores, me cobrem fotos dos salões Carandiru I e II, do ferro de passar roupas, do rádio da cozinha e da nossa super-lareira.

Nintendo

Eu não entendo esse teu medo de ser feliz.
Não entendo essa tua fobia.
Não entendo esse monte de defesas.
Não entendo pra quê se proteger tanto.
Não entendo de quê te proteges.
Eu não entendo essa tua impossibilidade.
Não entendo essa tua fraqueza.
Não entendo onde foi parar tua força?
Não entendo cadê a tua coragem?
Eu não entendo essas tuas olheiras.
Não entendo teus olhos tão grandes e tão cegos.
Não entendo tuas lágrimas tardias.
Não entendo essa tua culpa.
Não entendo essa tua vergonha.
Não entendo tua insegurança.
Eu não entendo.

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Mas de que serviria entender?

domingo, 5 de abril de 2009

look at us!


Na mesma foto: meu afilhado recém batizado, e o corte de cabelo porteño da dinda.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A insustentável leveza do ser II

a espera pesa
o peso desespera
alta pressão atmosférica
dias de calor pré-chuva

a leveza chega
sorriso alegre
boba ignorância
a leveza ignora
a leveza é agora
carpe diem
leve e pobre

o valor do peso
18 quilates
pendurados no pescoço
ou roubados do bolso
seja ganho ou perda
vale ouro
ou choro

dias de sol no outono
a leveza do vento
o calorzinho do sol
que não queima
uma chama acesa
brasa
um abraço
aconchego

o peso das palavras medidas
letras de chumbo
medo das conseqüências
insegurança
desconfiança
desesperança
ou pior
expectativa*

comida leve
alface e broto
dieta da sopa
blusas curtas
sem barriga
e fome
leve não come
de tão leve, some

*no wordreference: " 'expectativa' también aparece en estas entradas:
Português:
expectar - moita"




Kundera. Quem dera.

A insustentável leveza do ser

Me leve, tão leve
que nem se percebe
E vai de leve
que a vida é breve

Te arrasto, teus rastros
Tão raros tão rasos
Que pesam - pesa
A vida dura

Me deixe, leve
que eu nem perceba
Se vem, se vai
Se vou, se fico

Te puxo, arranho
Arranco algum querer
e algum sofrer...
Permanência

Me esqueça, ou recorde
mas que seja indolor
Sem compromisso, leve
Me preserve, reserve

Te peço, e confesso
não esqueço, teço
cada sentença
precisa, calculada

Me escreve, e segue
descida - vento na cara
Não deve, não teme
é livre, é neve - derrete!

Te aqueço, sufoco
suor, calor e tira a roupa
Estremeço, revoada
É sempre recomeço

.

domingo, 22 de março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009

Sex and the city na vida real V - as mentiras que elas pedem (inspirada em relatos masculinos)

I.
- Que lindo teu apê! Estilo clean...
- Obrigado. Me mudei faz pouco.
- Ah, é?! Que legal! Então a gente... tu vai estrear comigo?
- Não, já estreei faz tempo, ih! muito antes de ficar pronto.
- ah. - caradecu.

Silêncio.

- Mas desde que me mudei tu é a primeira!
- Valeu. - caradecu.


II.
3h da manhã. Cama desarrumada, aquele momento pós-sexo do terceiro encontro. Aquele momento terceiro encontro. Na cama dele.

- Com quantas tu já transou?
- Oi?
- Com quantas tu já transou?
- Tu quer mesmo saber isso?
- Sim.
- Ãhn.. vinte e sete. Contigo, vinte e oito.

Silêncio. Caradecu.

- Pô, desculpa, mas tu que perguntou.

Caradecu.
Levanta e começa a se vestir.
Ele nunca vai entender. Talvez ela tenha achado muito. Talvez ela tenha achado simplesmente ridículo ele ter o número na ponta da língua. Talvez ela não tenha dado bola pra isso, mas tenha esperado um complemento do tipo "mas tu é a mais especial", ou "a melhor". Ele pensa que o problema tá no número, maldito 28.
He'll never know. Talvez jogue no bicho.



Por que que mulher tem mania de fazer esse tipo de pergunta?



quarta-feira, 18 de março de 2009

A vida é a arte do (re)encontro,
embora haja tanto desencontro
pela vida...
ou
Tu te tornas
(eternamente? ou infinito enquanto dure...?)
responsável por aquilo (ou aquele, ou aquela)
que cativas.
(sempre achei meio imperativa demais essa do Pequeno Príncipe... mas é isso mesmo, cativar é deixar marcas... o resto cabe aos encontros-reencontros-desencontros)

domingo, 15 de março de 2009

Pingos de Patagonia III






O acampamento de las Torres fica no parque Torres del Paine mas numa parte que é propriedade privada, e onde tem um spa, um hotel, um hostel e sei lá mais o que. É o acampamento mais campero de todos. O único onde é permitido fazer fogo, am alguns cantos. É cheio de cavalo e de vaca circulando. Delícia acordar de manhã com aquele barulho de pocotó pocotó passando na estradinha de chão próximo à barraca. (No último dia resisti e fiz uma cavalgada, com direito a galopar em carrera no final... tava com uma saudade!)

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A gente conheceu a Lavi no banheiro do hostel de El Chaltén, numa correria, e depois nos reencontramos e ficamos amigas dela e o Dado, seu esposo, em Torres del Paine, quando eles cozinhavam uma lentilha no quincho. (El quincho mereceria um post...)

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Enfim, os últimos dias de Chile foram na companhia deles, nossas fogueiras e fogos (tragos, vinhos e risadas para espantar o frio), os mates, refeições de tudo-o-que-sobrou. São gaúchos, mas moram em Copa. Mais um motivo pra eu voltar ao Rio...



SEMPRE parceiros pra uma ceva! DOS MEU!

!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sex and the city na vida real IV - Age of Aquarious

Depois da experiência frustrante com seu personal trainer - Paulão, o flanelinha -, ela investe no professor de yoga, que tem um corpão também mas faz o estilo sensível hippie natureza paz e amor essas coisas. Vem cá ver as estrelas, lua nova, diz ele, dá para observar melhor as constelações. Ela não entende porra nenhuma de constelação, mas acha o máximo que ele sempre saiba quando é lua nova ou lua cheia. Começam a fazer amor ali mesmo, à luz das estrelas, no colchonete que ele trouxe da índia. De repente, bem no meio do durante - que, tântrico, duravaduravaduravadurava e não terminava nunca -, ela avista uma barata quase subindo no colchonete, quase na altura do seu rosto.
I) ELA: dá um grito de susto, sem querer empurra ele pra fora do colchão, quebra todo o clima e ELE: Calma docinho é só uma baratinha, aqui em casa tem várias, elas não mordem, é da natureza... (no fundo puto da cara porque perdeu toda a concentração e brochou)
II) ELA: dá um grito, mas não se move, e ELE: pensa que ela gritou de prazer, etra na onda dela, grita também, esforça-se para demonstrar o máximo de prazer mas ELA: continua gritando, agora mais forte, porque a barata já encostou as anteninhas em sua pele, e ELE: isso, gata, como tu grita gostoso, que sexo selvagem, uaua, e ELA: finalmente diz A barata! e só então ELE: vê a barata, dá-lhe um peteleco pra longe, e os dois caem na gargalhada
III) ELA: não quer parecer fresca, afinal ele com sua cultura hindu não deve ter pânico de barata, pelo contrário, já deve ter comido baratinhas fritas na Tailandia, então ela fica quieta torcendo pra barata não vir, e disposta a dar um peteleco nela caso se aproxime muito ELE: cultura hindu que nada, barata é o bicho mais nojento do mundo, esquece o sexo tântrico e pára tudo pra sair correndo atrás da maldita, chinelo na mão. ELA: só pensa Desgraçado
IV) ELA: dá uma olhada de canto de olho e continua se concentrando no corpo do mestre de yoga, aquela escultura pesando sobre o corpo dela... ELE: como se nada estivesse acontecendo e sem interromper sua atividade tântrica, alcança o chinelo para matar a barata, e sorri para a moça com ar de satisfação, problema resolvido, não para, não desconcentra ELA: no depois, rindo, comenta sobre o episódio da barata. ELE: confessa que tinha visto a barata muito antes, quando ainda estava no muro, e ficou torcendo pra que ela não visse. ELA: com nojo de calçar o chinelo. ELE: cofessa que não conseguiu matar a barata...
...`o´...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pingos de Patagonia II

Nosso primeiro trekking de verdade, primeira experiência de acampamento na Patagônia, foi em El Chaltén. A caminho do fabuloso Fitz Roy, onde uma amiga minha jura ter visto um duende, lá fomos nós - a Cris, a barraca, nossas mochilas e nossos cajados - em direção ao "Campamento D'Agostini", em Cerro Torre, dormir a primeira noite. Levamos 5h para fazer a trilha de 3,5h.






Descobrimos, em algumas curvas, o poder do vento patagônico. É assim: tu levanta a perna pra pisar, e em vez de o teu pé cair na tua frente, cai pro lado e tu te desiquilibra, afinal, tem uma mochila gorda pesando no mínimo 12kg pendurada nas tuas costas. Também nessa trilha, vimos uma lebre correndo saltitante, e nos emocionamos com nossa proximidade da natureza, objetivo principal da viagem.




Na metade da trilha, começou a chover. E em menos de 1h caminhando dentro das nossas capas de chuva de dé real, descobrimos que elas custaram tão barato porque são descartáveis. Mais adiante, dedicaríamos a elas um clássico samba:


"...com você eu vivo a sofrer

mas sem você

vou sofrer muto mais..."


Finalmente chegamos ao camping. Abaixo de chuva. Começava a escurecer. A Cris desabafa aos berros:


"EU ODEIO CHUVAAAA!! ODEIO ACAMPAR COM CHUVA!!!"


Descobrimos que na nossa barraca entrava água. E fazia frio.




O que nos salvou foi que, entre as pouquíssimas barracas que estavam armadas ali, havia uma de onde vinha uma música, uns acordes de violão, e decidimos ficar por perto. Pois o dono de la guitarra sensibilizou-se com o desabafo da Cris, nos ofereceu ajuda, foi o primeiro entre tantos a rir do tamanho da nossa barraca enorme, mas também o primeiro a aproveitar-se disso, e foi assim que conhecemos Matias e Lucas, irmãos, portenhos, buena onda, que nos ensinaram que não necessariamente a barraca pega fogo se acender o fagareiro dentro dela, o que mudou a nossa vida, e nesse dia cozinhamos dentro da barraca, conversamos e cantamos até tarde, até que foi cada um pra sua barraca dormir e eu e a Cris descobrimos que já não entrava mais água na nossa carpa, mesmo com muita chuva, e que nossos sacos de dormir deveriam ser mais quentes, e que um vinhozinho faz muita falta hora dessas.




Matias

Lucas


O dia seguinte amanheceu chovendo. Eu tinha a nítida sensação de que aquela massa nebulosa estava presa naquele vale e que nunca mais iria parar. Nos levantamos tarde, não que estivesse gostoooso dentro do saco de dormir, mas faltava coragem para sair. Lá pelas 14h, decidimos voltar pro pueblito de El Chaltén e dormir no quentinho do hostel, e azar o do Fitz Roy porque com esse clima não ia dar pra enxergar pico nenhum mesmo. Por sorte a chuva deu uma trégua bem na hora em que desarmamos a barraca, e foi assim que aproveitamos cada cantinho do pueblito, sua cervejaria artesanal, sua padaria e confeitaria, seu super hostel Rancho Grande e a multidão de europeus, australianos e argentinos que o habitavam temporariamente.




LADE - Líneas Aereas Del Estado

A maneira mais barata de voar pela Argentina é... de LADE. Pelo menos para estrangeiros, porque as Aerolineas Argentinas cobram o dobro do preço para estrangeiros. Então eu e a Cris compramos nossas passagens: Buenos Aires-Ushuaia-El Calafate. Ushuaia só pra conexão, não tínhamos tempo para conhecer a cidade. E o preço era o mesmo até aí ou seguindo até Calafate. Todo muy lindo, descubrimos que tinha uma escala em Puerto Madryn, tiramos muitas fotos aéreas, nos servirama até champanhe no avião.





Chegando ao aeroporto de Ushuaia, que é uma gracinha, morremos de frio só de dar aquela caminhadinha do avião até a sala de embarque/desembarque (ninguém achou que a LADE teria finger, né? E todo mundo sabe que finger é aquele tunel que liga o avião ao aeroporto, né?). Já nesse aeroporto uma confusão, um comissário nos mandou subir uma escada que tinha um sinal de proibido, e entramos na sala de trânsito pela contramão. Ficamos superatentas, nosso vôo atrasou um pouquinho, mas em seguida tudo se resolveu e lá fomos nós, caminhar até a aeronave que nos levaria a El Calafate. Quando a Cris avista o aviãozinho de élice, PAVOR. O equipamento que um dia serviu às Forças Aéreas Argentinas devia ter uns 70 anos de idade, bem como seu comissário de bordo. Por sorte, não vimos a cara do piloto.


Entrando no aviãozinho, que já tinha seus 32 lugares quase lotados, tive que ficar nos primeiros bancos, ou seja, de frente pra todo mundo. Viaje de ré. E sem mesinha. Antes de decolar, nada de instruções de segurança: nossa aeronave não dispunha de máscaras de oxigêncio nem colete salva-vidas. Serviram alfajor e café, e as pessoas à minha frente sensibilizaram-se, deixa que eu seguro teu café enquanto tu abre o alfajor, por favor segura meu alfajor enquanto eu adoço o meu café. Thank you (só tem gringo indo pra Patagônia).




A viagem foi aparentemente longa e barulhenta. Não obstante, consegui dormir um pouquinho. A Cris se hipnotizou com um livro para não pensar no que seria aquela tremedeira toda. O melhor momento foi a preparação para o pouso, quando o comissário de bordo vai conferir pela janelinha se as rodas do avião (que no caso do nosso Fokker ficava sob as asas) obedeceram ao comando do piloto.


Finalmente, chegamos a El Calafate! Sãs e salvas. Nesse aeroporto pequenino ao lado desse lago verde-azulado lindo na fotinho acima. E eu só contaria pra minha mãe sobre esse aviãozinho no final da viagem, quando se Deus quisesse chegasse viva a Buenos Aires. Bueno, acá estoy. E recomendo a LADE. Lá na Patagonia, me disseram até que os aviõezinhos de élice são mais seguros do que os outros. Se bem que na volta... Ah, a volta é outra história.


quarta-feira, 4 de março de 2009

Diego. Maradona.

Não tem como um brasileiro entender a relação que os argentinos têm com o Maradona. Não tem nada a ver com a nossa relação com o Pelé ou o Ronaldo gordo. Em tese, metade dos argentinos AMA o Maradona, e a outra metade o ODEIA. Lá na Patagônia, eu e a Cris conhecemos um desses argentinos apaixonados pela figura (sim, o Maradona é uma figura, uma personagem, muito além de jogador de futebol, dependente químico ou treinador da seleção). Nosso amigo Andres parece ser uma pessoa razoável, um argentino de classe média, curso superior completo, beirando os 40 anos de idade, é parte dos 80% dos patagãos que trabalham com turismo. Os outros 20, produzem ovelhas para servir o famoso cordeiro patagónico que é delicioso e macio e com pouca gordura mas muito sabor. Então, o andres nos dizia, muito seriamente, sem nenhum tom de ironia ou humor, que o Diego é uma dessas pessoas que nascem tocadas por Deus. Literalmente, por la mano de Dios. Ele é uma pessoa especial espiritualmente, ele nasceu abençoado! Se se meteu nas drogas, foi para integrar um meio onde isso era necessário, ele fez o que qualquer pobre como ele teria feito no lugar dele. O que faz de Maradona um ser tão especial e vencedor não é treino ou técnica no futebol, nem carisma, mas simplesmente o fato de que ele é uma figura divina, nasceu tocado por Deus, um Escolhido. Então tá. Não deu nem pra fazer piada, eu e a Cris rindo por dentro, mas seguimos escutando com a de seriedade. Eu é que não ia contestar tamanho fanatismo.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Nada do que foi será de novo... Será NOVO!

Quis ir àquela festa, mas desta vez não foi convidada. Já não pertence àquele salão. Já não é ela quem fecha a pista, quem brinda o champanhe final. Quis caminhar por aquela rua... tomar aquela ceva no boteco da esquina. Mas atrás do balcão, o bigodinho nem a cumprimenta. O bairro todo já não a reconhece. Teve aquela última vez... a garçonete perguntou "veio sozinha hoje?", ela guardou uma lágrima e sorriu "sim", a partir de hoje venho sozinha, pensou. Quis dançar aquela música, ah uma, só uma canção contigo! O ritmo não é mais o mesmo. O salão mudou de lugar, até. Não tem mais aquela mesa no canto. Os garçons não são os mesmos. Até a marca da cerveja mudou. Quis ir àquela festa... mas já não é mais a mesma. Nem a festa, nem ela. Outros salões, outras canções a esperam. Acabam de chegar os convites...




Pingos de Patagonia I



No caminho pro Glaciar Perito Moreno tem uma curva que se chama Curva dos Suspiros. É que diante da primeira visão de um glaciar, não tem como ficar em silêncio. No caso, a Maria não suspirou, deu um grito, "Aaah! Cris! Olha!". Foi nosso primeiro passeio, ainda civilizadas, em excursãozinha, fotografando desde as passarelas ou desde o barquinho em meio aos orientais e muitos, muitos europeus, especialmente franceses, ou então australianos, origem da maioria dos english-speakers. E eu e a Cris, "Brasileñas?! Pensé que eran argentinas..." bem, isso foi antes de eu adquirir o divertidíssimo sotaque chileno, Oye!
As fotos estão assim azuladas não só porque a camera azulava tudo, mas porque essa é a cor do interior do glaciar (que não é extamente uma formação de gelo, mas de neve compactada), e a água dos lagos sempre com esse tom verde-água.
Prometo mais fotos, nos próximos posts, e crônicas da viagem.
A propósito, PAZ e AMOR! (Já que começou The Age of Aquariooooouus)
** *

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

semana de prazeres

terminei a monografia.
compramos passagens para a patagonia.
provei a ceva que se chama Patagonia Ambar e amei.
roubaram meu cartao.
mas nao tentaram gastar meu dinheiro.
fui na aula de trapézio. aaaaaaaaaaahhhhhhhh!
to tomando uma ceva.
era tudo o que eu queria!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sabe quando tu tá lendo um livro e adorando, mas ele vai terminar, e por mais que tu queira saber o final da estória, ao mesmo tempo tu não quer que o livro termine porque tu gosta tanto dele!
Obrigada, Mario Vargas Llosa
Obrigada, Tetê, por ter me regalado o livro

E a Menina Má não vai para a Patagônia. Vai o Delírio, mano. Responsa hein!

sábado, 31 de janeiro de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

eu mereço...

Acordei às 10h35 da manhã, expulsa pela cama, pelo barulho, sei lá. Ontem não dormi tão tarde, mas já estava recostada na cama quando começou Laranja Mecânica. Nunca tinha assistido inteiro, sempre pedaços, acredita? Precisava sair de casa, respirar o ar da rua, bisbilhotar os acontecimentos de la Recoleta àquela hora. Ok, ok, não tô no coração da Recoleta, aqui já é Retiro, confesso. Fui tomar café no meu bom e velho café da calle Montevideo (aquele do velho tarado, lembra?), aquele capuccino delicioso e uma medialuna de grasa. Levei mais umas medialunas pras gurias e um pãozinho integral pra mim. Li todo o jornal, descobri que já está em cartaz o novo filme do DiCaprio, e que Vicky Cristina ainda não voltou ao telão. A Cristina Kirchner, esta sim, está por tudo. Parece que se curou da depressão só depois de se encontrar com o Fidel. Me encerrei em casa o resto da tarde estudando e me desesperando. Amanhã é dia 31. amanhã eu me prometi que terminaria a monografia. Falta bastante, mas até então eu estava confiante de que terminaria... Mas agora já não sei. Não sei, não sei, não seeeiii!!! Vontade de terapia. Vontade de colo. Vontade de sair correndo. Chove em Buenos Aires. Chove de verdade, finalmente, a água caindo do céu perpendicular ao solo, pesada, fazendo barulho nos telhados, chacoalhando as copas das árvores, molhando os gramados dos parques. Melhor, assim não tenho como sair correndo. Vou pegar uns livros emprestados com a Jô, no fim da tarde. Já parou de chover, mas vou de colectivo pra chegar mais rápido. No meio do caminho o bus estraga, todo mundo desce e espera o próximo. Eu, não: vou caminhando. Mas no meio do caminho tem a Persicco. Persicco = MELHOR SORVETERIA. No meio do caminho tem a Persicco, e na Persicco tem aquele sorvete de banana com doce de leite e tantos outros sabores que enlouqueço e... a diabinha-gordinha fica atucanando, que eu mereço, eu preciso, que é muito bom, que tenho me comportado, posso comer; a anjinha-saudável fica dizendo justamente, tens te comportado tão bem, por que estragar tudo com um sorvete gordo, nao faz isso, e o biquini, e aquele jeans que não entra mais; aí a diabinha lembra do sorvete de banana-split, e a anjinha perde os argumentos. No caminho de volta pra casa compro frutas de luxo, como cerejas e figos, e verduras para a salada. Resisto à Frutigran (melhooor bolacha integral), resisto aos alfajores, resisto a todos os doces. Chego em casa e as chicas já estão se arrumando para sair, ótimo, assim fico sozinha escrevendo minha monografia tranquilamente. Mas... falta alguma coisa entre eu, os livros e o computador. Falta... uma cervejinha! Vou lá, compro dois porrones tricolores (Quilmes, azul-preta e branca) clandestinos no kiosko (depois das 22h é proibido vender alcool a não ser em restaurantes, bares e delivery) e volto ao trabalho: agora sim, tô pronta pra virar a noite escrevendo...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

ESPERAR



O que importa é aprender a esperar. O ato de esperar não resigna: ele é apaixonado pelo êxito em lugar do fracasso. A espera, colocada acima do ato de temer, não é passiva como este, tampouco está trancafiada em um nada. O afeto da espera sai de si mesmo, ampliando as pessoas, em vez de estreitá-las.
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Ernst Bloch, “O princípio esperança”
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Vício. Arte. Tradição.


Fazer o chimarrão é uma arte. Encher 2/3 da cuia com erva. Inclinar a cuia e acomodar a erva de um lado (tem lado certo), completar com água morna e deixar a erva inchando, com a cuia ainda meio inclinada. Servir o mate com água bem quente, mas ainda não fervendo. Colocar a bomba tapando-a no bico, e quando destapar, a água do mate tem que baixar um pouquinho - significa que a bomba não entupiu. Tomar o primeiro mate, ainda não tão quente, servir e passar o próximo para a direita. A espuminha significa que o chimas ficou perfeitooo
DELÍCIA


Sex and the city na vida real III

O Beijo I

Tem aquele amigo que é o bonitão da turma, divertido, sempre sai de língua de fora nas fotos. As gurias confabulam como será o beijo dele. A opinião é quase unânime: deve ser power-tongue. O beijo power-tongue é aquele em que o cara põe tanta força na língua pra beijar que quase mata a guria de asfixia. Numa daquelas festas de fim de ano, clima de despedida do colégio e tal, uma das gurias fica com o cara. No dia seguinte, todas querem saber E aí, como é que foi o beijo? Resposta óbvia: Enfiou tanto a língua na minha garganta que deu ânsia de vômito e acabei vomitando no colo dele. E o bonitão da turma deixa de ser o bonitão da turma, porque tem beijo power-tongue.

O Beijo II

O cara pegou a irmã do melhor amigo, e ainda quebrou o dente dela num beijo. O dente dele ficou intacto. Nunca mais pegou a irmã do melhor amigo.

Língua

Eu já vi fetiche por pé, por bunda, por peito, por pescoço, até por mão. Mas nunca tinha visto fetiche por língua. Aconteceu com uma conhecida. Ficou com o cara, lindo, 1,90m de altura, só achou meio estranho ele ter pedido pra ela mostrar a língua, quando já estavam no carro, deixando-a em casa. Ela pensou que, de repente, não tava envolvendo a língua o suficiente no beijo... Saiu com ele mais uma vez, pra dar uma chance. O cara não parou de pedir pra ela mostrar a língua. E não era botar a língua em lugar nenhum, era simplesmente mostrar a língua. Depois não entende porque que a mulher nunca mais saiu com ele...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

palavra de poeta


Há quem receite a palavra ao ponto de osso, de oco;
ao ponto de ninguém e de nuvem.
Sou mais a palavra com febre, decaída, fodida, na
sarjeta.
Sou mais a palavra ao ponto de entulho.
Amo arrastar algumas no caco de vidro, envergá-las
pro chão, corrompê-las
Até que padeçam de mim e me sujem de branco.
Sonho exercer com elas o ofício de criado:
usá-las como quem usa brincos.



(Manoel de Barros)

sábado, 17 de janeiro de 2009

come away with me

Norah me acaricia


e sinto relaxar o corpo inteiro


os olhos semi-fechados


os lábios quase-sorriso


Quanto mais Norah sussurra

doçuras em meus ouvidos

quanto mais mexe seus dedos

tanto mais a quero




Norah me acalma


me inspira


faz-me lembrar


e esquecer também



Porque Norah é minha

nossa intimidade transcende


Norah me dá prazer

sempre








quem é a coisinha linda da titia?

foda. cresci jurando que eu nunca seria a tia chata que aperta as bochechas das crianças.
mas tem como resistir?




BLERGS!!

O que pode ser mais nojento do que pisar num cocô de cachorro?
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Chutar um cocô de cachorro fresquinho, DE HAVAIANAS!!
..
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

cantadas portenhas I

Caminhar em Buenos Aires tem um divertimento à parte: a criativadade e a dramaticidade das cantadas dos portenhos. Especialmente os operários e mecânicos (no caminho pro Ameghino, onde trabalho, há um monte de lavagens, concessionárias e oficinas mecânicas), eles se puxam. Enquanto no Brasil escuta-se "Cheirosa", "Gostosa", aqui as cantadas são de outros nível "Ay, mi amor", "Reina", "Diosa". Entendeu? Mas às vezes eles se puxam na criatividade, e, com sorte, conseguimos escutar e entender tudo no tempo da passada (às vezes são tão longas que quando o cara termina de falar eu já estou do outro lado da rua).

Ontem, saímos eu e a Cris de casa no fim da tarde, para caminhar pelos parques da Recoleta, quizás dar uma corridinha até. Saio de tênis, fusô e uma regata verde limão. Eis que na esquina da Callao com Libertador, escuto de um papeleiro

"Uy, se ya es linda así de verde, imagináte cuándo madura".

Fator importante é que a maioria das argentinas não têm bunda, muito menos deixam à mostra o seria o quadril, usando sempre blusas longas ou calças largas. Foi numa dessas que escutamos (dessa vez não era pra mim)

"Que colita linda... ...bonbón!"

A propósito, chamar uma mulher de bombom por aqui não é nem vulgar nem brega.




sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

o tempo

o incômodo abraço cheio de receio
um adeus dramático
disfarçado de até logo
o desvio do olhar teimoso
suor de nervoso
as mãos geladas pela insegurança
os lábios abertos com alguma esperança
um beijo que quase foi roubado
revoada
as borboletas se foram
um ano e meio de euforia são arquivados
e a angústia de um ano se esvai
todas as sensações que afastam
e movimentos que aproximam
na duração de um abraço
dois minutos.talvez três.
...........................
.......................
..................
.............
.........
.....
.

SAUDADE DO MEU PAGO

Morando numa cidade grande e enlouquecida como Buenos Aires, que tem as vantagens (cultura, gente do mundo inteiro, lugares diferentes, sempre novos, sempre abertos, permanentes, história, cada bairro uma vida, facilidade de acesso a tudo ou quase tudo, mistérios, novidades, uma infinidade de coisas a serem descobertas, eventos gratuitos, atrações internacionais, diversidade de atrações locais, etc.) e as desvantagens (barulho, poluição, estrangeiros demais, hostilidade, correria, estresse, engarrafamento, greves, colapso, escuridão, violência, sensacionalismo, etc.) de uma metrópole, a pessoa começa a sentir falta de certas coisas. Primeiro, por estar longe de casa, há momentos de muita saudade, saudade das pessoas queridas, saudade de muitos amigos ligando de todas as partes toda hora, todos os dias convidando pro aniversário ou churrasquinho ou comemoração de alguma coisa de alguém, saudade daqueles que sabem só pelo teu olhar. Segundo, porque em Baires se anda a pé, que saudades de pegar o carrinho no finde e sair por aí, sair dirigindo à toa, direção litoral ou campo ou serra, ou simplesmente um bairro mais calmo, perto do rio, pra tomar um mate e acalmar os sentidos. Terceiro, porque a cidade é muito iluminada à noite, quase não se vê as estrelas, e como eu sinto falta de olhar pro céu, procurar os satélites, ver estrelas-cadentes. Quarto, porque é muito barulho, especialmente morando a uma quadra de um hospital, é sirene de ambulância toda hora, e ônibus freando com as pastilhas gastas gritando. Quinto, porque as pessoas têm cachorros em apartamento e nem curtem eles direito, mandam o passeador levá-los pra rua entre mil outros cachorros na coleira, e os cocôs ficam nas calçadas esperando pra serem pisados.



SAUDADES DO CAMPO, DO SILÊNCIO, DO PÔR DO SOL E O NASCER DA LUA, DE ANDAR A CAVALO, DE TER MEU CÃO



Apelei ao Vitor Ramil, uma das minhas canções preferidas - Deixando o pago -, pra ver se alguém me entende...



Como é linda a liberdade

Sobre o lombo do cavalo

E ouvir o canto do galo

Anunciando a madrugada

Dormir na beira da estrada

Num sono largo e sereno

E ver que o mundo é pequeno

E que a vida não vale nada



Cruzo a última cancela
Do campo pro corredor

E sinto um perfume de flor

Que brotou na primavera.

À noite, linda que era,

Banhada pelo luar

Tive ganas de chorar

Ao ver meu rancho tapera



Falam muito no destino
Até nem sei se acredito

Eu fui criado solito

Mas sempre bem prevenido

Índio do queixo torcido

Que se amansou na experiência

Eu vou voltar pra querência

Lugar onde fui parido

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

2009



Réveillon

rève de sonho
veille de véspera
réveille de despertar

revelação
ou rebelião


Carpinejar I

"
Viver é mesmo a arte dos desinformados.
"
tá ali nas outras intensidades: Fabro

Cazuza I

"

EXAGERADO
jogado aos seus pés
com mil rosas roubadas
EXAGERADO
eu adoro um
AMOR INVENTADO

"

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Teoria da moita II

:
Antes uma moita bem cagada e desocupada
do que ficar naquelas
"nem caga nem desocupa a moita".
.

encontrar.se.só.

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Quando já não precisar da luz daquele olhar
Que de tanta luz emaranhava em sombra
Verá brilhar os próprios olhos
Luz da alma, intensa e duradoura
Da obscuridade à escuridão quase total,
Da cegueira à claridade do amanhecer
Verá raiar cada dia mais seu
A pele cor de pôr-de-sol
Textura de areia fina e fria
Sentirá o calor por dentro
E, olhar desatento, será surpreendida
Um universo de possibilidades
Identidade-interrogação
A vida é movimento, arrebentação na beirada
Pra mergulhar, basta coragem
Entrar e sair, questão de iniciativa
E será tudo novo
Quando já não, não mais
Será pura afirmação, então.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008



sabe aquelas férias que eu queria me dar?
já começaram.
tem tudo a ver com fim de ano - preparação para dois-mil-e-novos -
e com ombros.




Mulherzinha.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

presença-ausência

e mesmo depois de tanto
ainda sinto teu cheiro
no estofado do meu carro
nos lençóis da minha cama
quando venta em meus cabelos
sinto tua respiração
na minha nuca
tua voz
cochichando no meu ouvido
e já se passaram tantos
mas ainda te vejo
no reflexo do espelho
na saudade de um quando
e na esperança de um ainda
e mesmo depois de tanto
ainda te tenho aqui
comigo
ainda
e sempre

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Deriva - parte II

  • uma milonga em san telmo
  • um samba na lapa
  • um baile de cola atada
  • os fogos de copa no reveillon
  • jingle bells e os amigos no porão
  • compras de natal na santa fé
  • aquelas mulatas com samba no pé
  • o-do-mo-dê
  • imortal tricolor
  • bombonera
  • talvez fla-flu no maraca
  • pôr do sol no cachimbo
  • asa delta no pepino
  • o cara da cítara no parque
  • pendurar tecido na árvore
  • trapézio no pátio
  • bicicleta na av. atlântica
  • malabares na redenção
  • os bares do bonfim
  • os bares da zona sul
  • ou subir santa tereza
  • praça serrano ou armenia
  • bastille ou marais

onde a vida pulsa, haja mais vida, haja amor, esteja eu...

...esteja você


sábado, 13 de dezembro de 2008

Sex and the City na vida real II

Cachorro?


Tava puta da cara, mais um que promete ligar e não liga. Tinha sido tão bom aquele finde, ele pareceu tão querido... E aí sumia do nada, assim, duas semanas sem ligar!

Foi faxinar a casa, como costumava fazer para passar o tempo enquanto esperava uma ligação.

Varreu o chão, aspirou o carpete do quarto, fez uma limpa na geladeira e nos armários da cozinha, trocou a areia do gato. Quando foi trocar o jornal do cantinho do bichano, congelou. Eram as páginas policiais, e deu de cara com a foto dele. Vítima de acidente na 290. O cara tinha morrido sexta-feira passada, como poderia ter ligado pra ela? E ela amaldiçoando o cachorro-filhadaputa-covarde.
- Morreu, amiga. Quando penso que conheci o homem da minha vida, ele morre, porra. Fiquei viúva antes de começar o romance.

Sex and the City na vida real I

O cara flanelinha


Recém tinha terminado o namoro, passou semanas deprimida, até que as amigas conseguem tirar ela de casa. O primo da amiga está ansioso por conhecê-la. Ela, que esperava um gordinho espinhento, não podia ter ficado mais feliz diante daquele corpão e aquele maxilar sorridente, um homem daqueles que se vê de longe na academia e pensa que é tão lindo que só deve pegar o próprio espelho. Se beijaram e não desgrudaram mais. Tampouco conversaram, foi uma atração de corpos. Não ficaram nem uma hora no bar e quando viu já estava na cama dele.
E quando ouviu, se sentiu numa aula de aeróbica.


Isso aí! Mais rápido! Plaf! Plaf! Plaf! (corpos se batendo)
Agora levanta essa perna! Aê, assim!
(Ele segura a própria nuca com o braço direito, deve ser para visualizar o bíceps no espelho)
Mais pra esquerda! Veeeem.. Aí, aí!
(Ele leva o braço esquerdo atrás da nuca também, soltando a perna dela)
Plaf-plaf-plaf-plaf-plaf!
Iiisso! Agora vira assim! Mais pra cá! Aê, aê!
Plaf-plaf-plaf!
Agora de quatro!
De quatro!
...
Que foi, gatinha, cansou? Ooooh, tá cansadinha...
...
Ih, ficou brabinha é? Que foi, gata? vem cá!
(Ela se vestindo.)

Ah, já sei, tu é taurina, né? Mulher de Touro é sempre furiosinha.


Hollywood ou simplesmente amor



Na vida real,

um desencontro é

um desencontro.


*inspiração da Cris

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